Levantamento aponta que um terço das menções a Michelle Bolsonaro nas redes sociais são de críticas
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2347 visitas - Fonte: PlantãoBrasil
A máscara da suposta união da extrema direita desabou por completo com a escalada da crise interna entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, que agora se enfrentam em uma guerra aberta nas redes sociais. Um levantamento da consultoria Bites revelou que, após a ex-primeira-dama publicar vídeos acusando abertamente o próprio enteado de tê-la maltratado e humilhado, a militância radical se voltou contra ela. Das 300 mil menções direcionadas a Michelle Bolsonaro no monitoramento recente, um terço foi recheado de críticas severas, xingamentos e acusações de traição vindas de seus antigos aliados.
O linchamento virtual promovido por perfis extremistas expôs o oportunismo desse grupo político, que passou a atacar Michelle Bolsonaro de forma irônica usando termos como "Michelle Firmo" e "Dona Michelle", além de rotulá-la como "traidora" e "feminista". A onda de ataques orquestrada por influenciadores bolsonaristas também atingiu em cheio suas principais aliadas, incluindo as senadoras Damares Alves e Tereza Cristina, além da governadora do Distrito Federal, Celina Leão. A retaliação pesada forçou Michelle Bolsonaro a abandonar a presidência do PL Mulher, a ala feminina da legenda de Valdemar Costa Neto.
A pancadaria digital ganhou fôlego quando figuras conhecidas do ecossistema extremista, como Allan dos Santos, Paulo Figueiredo e a deputada federal Bia Kicis, saíram em defesa de Flávio Bolsonaro, autorizando os ataques contra a ex-primeira-dama. Antes disso, o senador do Rio de Janeiro havia tentado abafar o escândalo com um pedido de desculpas protocolar, declarando que o episódio era uma página virada e que estava de coração aberto para a madrasta. No entanto, o recado foi visto como cínico e insuficiente pelo entorno de Michelle Bolsonaro, que considerou o silêncio do parlamentar diante dos ataques virtuais como um aval claro para destruí-la publicamente.
O racha familiar e político ganhou contornos de bizarrice com uma disputa religiosa apelidada de guerra de versículos bíblicos entre os apoiadores de ambos os lados, contando inclusive com o deboche público de Fernanda Bolsonaro, esposa do senador fluminense. Desestabilizada pela fritura pública promovida pelo próprio clã, Michelle Bolsonaro chegou a cogitar desistir de sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, mas recuou após ser contida às pressas por Celina Leão e Damares Alves, que tentam salvar o que restou do capital político do grupo na capital federal.
O isolamento político de Michelle Bolsonaro deve trazer prejuízos imediatos para os planos eleitorais da própria extrema direita, já que sua saída do PL Mulher sabota a estratégia partidária de tentar reduzir a alta rejeição de Flávio Bolsonaro junto ao eleitorado feminino. Para piorar a situação do senador, o escândalo doméstico reacendeu o foco sobre suas relações obscuras com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A base evangélica tem cobrado explicações detalhadas sobre os valores milionários associados ao empresário, tornando-se mais um foco de desgaste que ameaça arruinar a pré-campanha do parlamentar.
Com informações do DCM
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