Governo monta plano de emergência para conter danos de novo tarifaço dos EUA ao Brasil
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O governo federal montou uma estratégia de contingência para blindar a economia nacional diante da iminente imposição de novas barreiras comerciais pelos Estados Unidos. Segundo informações da jornalista Milena Teixeira, do portal Metrópoles, o Palácio do Planalto trabalha com o forte realismo de que as negociações bilaterais com a administração de Donald Trump entraram em uma zona de pouca resolutividade. Embora o canal diplomático seja mantido por protocolo, o foco absoluto de Brasília passou a ser a ampliação máxima da lista de exceções para tentar salvar setores estratégicos da indústria e do agronegócio nacional antes que a canetada protecionista de Washington seja oficializada.
A urgência do plano alternativo desenhado pelo Executivo ganhou força nesta quinta-feira (9), após declarações contundentes de Jamieson Greer, o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Em entrevista à rede Fox Business Network, o braço direito de Donald Trump para o comércio global confirmou que a investigação baseada na Seção 301 da legislação americana está na fase final e que o prazo legal expira impreterivelmente no próximo dia 15 de julho. Greer admitiu a existência de uma "grande distância" entre as posições americanas e os argumentos técnicos levados pela equipe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicando que a Casa Branca deve confirmar a aplicação de uma sobretaxa de até 25% sobre as exportações de produtos brasileiros.
O recrudescimento da ofensiva tarifária de Washington, que tenta retaliar o país usando como pretexto temas sensíveis como a soberania do sistema Pix e regramentos ambientais, acendeu o sinal de alerta também no empresariado nacional. Lideranças industriais e exportadores consideram improvável que a equipe econômica de Trump recue da retórica do "unilateralismo agressivo". Setores afetados pressionam o governo para que o plano de contingência garanta que commodities vitais e manufaturados de alto valor agregado não percam competitividade no mercado norte-americano, o que provocaria um forte desequilíbrio na balança comercial.
Nos bastidores do Planalto e do próprio meio empresarial, a iminência do tarifaço serviu também para desnudar o fracasso das agendas paralelas promovidas pela oposição brasileira no exterior. Integrantes do governo avaliam que a recente viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos — onde o parlamentar tentou se cacifar como interlocutor econômico do país junto ao governo Trump — não surtiu absolutamente nenhum efeito prático na defesa dos interesses nacionais. A tentativa de barganhar a isenção de tarifas em troca da destruição de políticas de proteção ao mercado de etanol nacional, por exemplo, foi rechaçada pelo Planalto e ignorada pelo próprio negociador americano, evidenciando que a diplomacia de palanque da extrema direita serve apenas para poluir o debate interno.
Com o prazo legal minguando para o dia 15 de julho, a equipe liderada pelo ministro Márcio Elias Rosa corre contra o relógio em reuniões técnicas de alto nível para tentar arrancar concessões de última hora. A prioridade máxima do governo Lula é garantir o multilateralismo comercial e mitigar o impacto financeiro nas contas externas. Caso as sobretaxas unilaterais sejam consolidadas na próxima semana, o Brasil se prepara para acionar mecanismos de defesa comercial e redirecionar fluxos de comércio, deixando claro que não aceitará passivamente sanções arbitrárias que firam a integridade e o desenvolvimento econômico do país.
Com informações do Braasil 247
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