Sóstenes e deputados do PL operaram como testas de ferro em esquema de R$ 119 milhões comandado por Valdemar
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A Polícia Federal desarticulou uma engrenagem clandestina incrustada no Congresso Nacional ao apontar que o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), junto aos deputados federais Luiz Carlos Motta (PL-SP) e Capitão Alden (PL-BA), atuaram como "laranjas" institucionais de Valdemar Costa Neto. O esquema sob suspeita envolve o direcionamento criminoso de R$ 119 milhões em emendas de comissão nos anos de 2024 e 2025. Como Valdemar não possui mandato eletivo e está legalmente impedido de manejar o Orçamento da União, os parlamentares teriam emprestado suas assinaturas e prerrogativas públicas para dar uma fachada de legalidade ao desvio de finalidade. Diante da gravidade das provas, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou o bloqueio imediato de até R$ 119 milhões em bens do presidente da legenda.
A farsa burocrática começou a desmoronar após o cruzamento de dados bancários e a apreensão de documentos confidenciais com Mariângela Fialek, a "Tuca", ex-assessora de Arthur Lira. Os arquivos provam que, embora as verbas figurassem formalmente sob a autoria dos deputados, o controle absoluto dos repasses pertencia a Valdemar, condenado histórico do Mensalão. Sóstenes Cavalcante foi o principal operador da manobra, assumindo a falsa paternidade de impressionantes R$ 94 milhões. Mesmo representando o eleitorado do Rio de Janeiro, Sóstenes pulverizou dinheiro público para redutos eleitorais na Bahia, Paraná, Pará e São Paulo, incluindo um repasse nababesco de R$ 25 milhões para a prefeitura de Porto Seguro. Já os deputados Luiz Carlos Motta e Capitão Alden avalizaram, respectivamente, R$ 22,8 milhões e R$ 2,4 milhões do Orçamento blindado.
Na decisão que congelou as contas do cacique partidário, o ministro Flávio Dino classificou a ingerência de um cidadão sem voto sobre o dinheiro público como uma materialização nefasta das práticas do Orçamento Secreto, ressaltando o severo prejuízo de R$ 104 milhões que a PF estima já terem sido efetivamente pagos e liquidados pelo erário. Encurralada, a cúpula do PL reagiu com agressividade. A defesa de Valdemar criticou a decisão judicial, rotulando o inquérito de "criminalização da atividade partidária" e alegando que a interlocução do dirigente com a bancada é legítima. Os deputados envolvidos tentaram se esquivar da culpa jogando a responsabilidade para trâmites burocráticos das comissões de Saúde e Turismo. Em paralelo, o senador Flávio Bolsonaro partiu para o ataque político, acusando a Polícia Federal de promover uma "perseguição seletiva" para constranger a oposição ao governo federal.
Com informações do O Estado de S. Paulo
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