VOTO VERGONHA? Crises empurram bolsonaristas para a "clandestinidade" na pesquisa BTG/Nexus
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O cenário para a corrida presidencial desenha uma estabilidade enganosa na superfície, mas esconde uma profunda tectônica no comportamento do eleitorado brasileiro. A mais recente rodada da pesquisa Nexus, encomendada pelo banco BTG Pactual, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera o primeiro turno com 40% das intenções de voto, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro, que pontua 34%. Em um eventual segundo turno, o atual mandatário venceria o certame por 47% a 44%. Embora os números globais repitam exatamente o embate anterior, os analistas identificaram um fenômeno inédito de camuflagem política: o eleitorado bolsonarista está "se escondendo" sob o rótulo de isento para evitar o desgaste público.
Esse deslocamento de identidade ficou nítido com o crescimento do grupo de eleitores que se declaram “não polarizados” — aqueles que dizem rejeitar tanto o lulismo quanto o bolsonarismo —, que saltou de 20% para 23% em apenas duas semanas. No entanto, quando colocados diante da urna simulada de segundo turno, esses mesmos eleitores supostamente neutros dão uma vitória esmagadora a Flávio Bolsonaro por 45% a 32%. A leitura dos cientistas políticos é que a base de apoio da direita não encolheu, mas preferiu a clandestinidade estatística após o bombardeio de escândalos recentes envolvendo o senador, como o racha público com a madrasta Michelle Bolsonaro e o áudio vazado revelando tratativas de R$ 134 milhões com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.
"Os eleitores bolsonaristas deixaram de assumir explicitamente sua identidade política após as recentes crises envolvendo o senador, migrando formalmente para o bloco não polarizado, mas sem necessariamente abandonar o apoio ao candidato do PL" — Análise técnica dos dados do levantamento Nexus.
Enquanto a oposição tenta estancar o desgaste de imagem de seu principal herdeiro — que patina e perde espaço entre eleitores com ensino superior, idosos e pessoas de alta renda, sustentando-se fundamentalmente no segmento evangélico e no eleitorado masculino —, o Palácio do Planalto colhe os frutos de uma pavimentação consistente. A militância lulista convicta expandiu para 24% da amostra e o governo Lula cravou seu melhor resultado histórico na série histórica iniciada em março, alcançando 47% de aprovação e conseguindo, pela primeira vez no ano, neutralizar a curva de desaprovação. A rejeição ao nome do petista também recuou para 46%, enquanto Flávio Bolsonaro segue amargando uma rejeição engessada de 50% de todo o eleitorado nacional.
Com informações do Brasil247
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