Justiça do Rio bloqueia R$ 20,9 milhões de empresa ligada a amigo próximo de Flávio Bolsonaro
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A Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou o bloqueio sumário de R$ 20,9 milhões da RioPag, empresa de intermediação de pagamentos vinculada ao advogado Willer Tomaz, conhecido por sua estreita amizade e proximidade política com o senador de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ordem judicial foi emitida pela juíza Cristiana Aparecida de Souza Bonato, da 14ª Vara da Fazenda Pública da Capital, após a constatação de que a companhia apropriou-se e retinha indevidamente verbas milionárias que pertencem à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
Na decisão, a magistrada foi taxativa ao destacar a natureza estritamente pública dos recursos em posse da empresa e pontuou que a recusa da RioPag em devolver o montante não possui qualquer respaldo contratual ou legal. A intervenção do Judiciário ocorreu como resposta a uma ação movida pelo próprio governo fluminense para resguardar o patrimônio do Estado. Diante da postura da empresa — que ignorou cobranças, tentou adiar a devolução e propôs um parcelamento absurdo rejeitado pelas autoridades —, a Loterj acionou a Justiça para estancar o prejuízo aos cofres públicos.
Tentando justificar a retenção do dinheiro, a defesa de Willer Tomaz alegou publicamente que o montante estaria travado em uma aplicação financeira do Banco Santander com carência de seis meses para resgate. No entanto, a direção da Loterj desmentiu a versão do aliado do bolsonarismo e informou que jamais recebeu qualquer documento ou comprovação formal sobre a suposta aplicação. A autarquia cobrou explicações oficiais sobre a legalidade desse fundo, a taxa de remuneração obtida e a ausência de relatórios de transparência sobre o dinheiro repassado.
A RioPag, uma sociedade anônima voltada ao mercado de apostas e cassinos no estado, foi beneficiada em 2023 pelo governo de Cláudio Castro (PL) com o monopólio desse tipo de intermediação financeira, cobrando taxas consideradas astronômicas e muito superiores às praticadas no mercado. O contrato estabelece que a Loterj tem direito a uma fatia de 26% da arrecadação total da empresa. A estranha paralisação dos repasses teve início em 2025 sob o pretexto de uma "custódia" sem justificativa, situação que acabou cobrada pela nova gestão do estado.
O episódio envolvendo a retenção milionária joga luz sobre os esquemas e favorecimentos que orbitam a gestão do PL no Rio de Janeiro e as conexões com o entorno de Jair Bolsonaro e seus filhos. A tentativa frustrada de reter mais de R$ 20 milhões de recursos públicos expõe o aparelhamento de setores estratégicos do estado para beneficiar figuras influentes da extrema direita, terminando com mais uma dura e exemplar contenção aplicada pelo Poder Judiciário.
Com informações da Fórum
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