Índia confronta protecionismo de países desenvolvidos e defende soberania econômica
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A Índia reafirmou sua postura firme e soberana em defesa do Sul Global durante a oitava Revisão da Política Comercial do país, realizada em Genebra pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Liderada pelo secretário de Comércio, Rajesh Agarwal, a delegação indiana defendeu um sistema multilateral aberto, mas alertou com clareza que qualquer reestruturação das regras internacionais deve priorizar o desenvolvimento dos países emergentes, garantindo autonomia para o combate às desigualdades e o fortalecimento industrial.
Durante os debates, a representação indiana denunciou a assimetria do comércio global e exigiu que a OMC preserve o tratamento especial e diferenciado para as economias em desenvolvimento. O governo indiano destacou que as regras comerciais não podem ser usadas pelos países desenvolvidos para asfixiar setores vulneráveis ou impedir o crescimento dos emergentes, sobretudo em um momento de avanço do protecionismo e de imposições tarifárias arbitrárias promovidas pelas grandes potências globais.
Um dos pontos mais enfáticos da apresentação foi a defesa intransigente dos pequenos agricultores. A Índia deixou claro que não tratará a agricultura como mera mercadoria de mercado, pois o setor é vital para a segurança alimentar e a subsistência de milhões de trabalhadores rurais. O país cobrou o fim das distorções provocadas pelos milionários subsídios que governos ricos concedem aos seus próprios produtores, criando uma concorrência desleal que prejudica as nações do Sul Global.
A delegação também rebateu os questionamentos apresentados por integrantes da organização sobre suas tarifas industriais e programas de estímulo à produção nacional. Em resposta às perguntas enviadas por dezenas de membros, Nova Délhi argumentou que suas políticas públicas de qualidade e de incentivo à indústria local são legítimas, voltadas para a redução de vulnerabilidades e essenciais para a soberania econômica de uma grande nação emergente.
Apesar das pressões de países desenvolvidos, o papel da Índia como motor do crescimento e da demanda global foi amplamente reconhecido no encontro. O país reafirmou que a abertura de mercados precisa ser uma via de mão dupla e citou o conceito de "Vasudhaiva Kutumbakam" — "o mundo é uma família" — para defender uma cooperação internacional justa, equilibrada e sem barreiras discriminatórias impostas contra as nações em desenvolvimento.
A atuação firme da Índia consolida a liderança dos países emergentes no cenário internacional, alinhando-se aos esforços do Sul Global por uma nova ordem econômica mais justa. Ao exigir que a OMC sirva ao desenvolvimento social e à redução da pobreza, a diplomacia indiana reforça que o multilateralismo só terá futuro se respeitar a soberania e as necessidades de todos os povos.
Com informações do Brasil 247
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