Kicillof pede desculpas ao Brasil por insultos de Milei
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A crise diplomática deflagrada pelos discursos do presidente da Argentina, Javier Milei, em solo brasileiro transformou-se rapidamente em combustível para a disputa político-partidária interna do país vizinho. O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, principal expoente do kirchnerismo e potencial candidato presidencial para as eleições de 2027, contornou as vias institucionais do Estado argentino para abrir um canal direto com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. A articulação de uma "diplomacia paralela" é vista por analistas como uma tentativa deliberada da oposição de enfraquecer a imagem internacional de Milei e faturar eleitoralmente sobre o impasse com Brasília.
Em uma ofensiva pública nas redes sociais, Kicillof afirmou ter contatado o chanceler brasileiro em nome do Partido Justicialista para expressar o que chamou de "vergonha alheia" diante dos ataques desferidos pelo chefe de Estado argentino contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante a convenção nacional do PL em São Paulo. Ao intervir no episódio, o líder kirchnerista buscou deslegitimar a representatividade do presidente eleito, tentando se colocar perante o governo brasileiro como o interlocutor sensato e o defensor dos postos de trabalho que dependem do comércio bilateral.
A movimentação da oposição peronista ocorre em um cenário de emparelhamento precoce para o próximo ciclo eleitoral argentino. Pesquisas de opinião locais divulgadas em julho já indicam um empate técnico em torno de 39,9% entre Kicillof e Milei em uma eventual projeção de segundo turno, transformando qualquer ruído externo em munição doméstica. O governador de Buenos Aires usou a crise para acusar o presidente de submeter os interesses estratégicos da Argentina aos anseios de forças conservadoras globais, inflamando o debate econômico sobre o Mercosul em benefício de sua própria plataforma.
Apesar do aceno de Kicillof, a retaliação institucional da máquina diplomática de Brasília seguiu seu curso rígido. A interferência do governador vizinho coincidiu com a decisão do Itamaraty de convocar o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para retornar ao país — uma das reprimendas mais severas antes do rebaixamento oficial de relações. Ao chancelar o palanque da oposição de direita no Brasil, Milei forneceu o pretexto ideal para o endurecimento da chancelaria de Lula e, simultaneamente, abriu flanco para que seus rivais em Buenos Aires manipulassem os temores do empresariado exportador e se cacifassem politicamente junto ao governo brasileiro.
Ayer vimos, con vergüenza ajena, al presidente Milei ofender e insultar al gobierno de Brasil, a su presidente y a todo un país. Desde la provincia de Buenos Aires sostenemos que la Argentina respeta a las naciones hermanas y apuesta a la integración regional.
— Axel Kicillof (@Kicillofok) July 26, 2026
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Com informações do X
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