Itamaraty pressiona Argentina após ataques de Milei e mantém embaixador fora de Buenos Aires
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A diplomacia brasileira reagiu com firmeza histórica e enquadrou o governo da Argentina após os ataques inaceitáveis desferidos por Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em uma resposta contundente à audácia do extremista vizinho, o Ministério das Relações Exteriores convocou formalmente o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para receber o repúdio oficial do Estado brasileiro. Paralelamente, como sinal máximo de insatisfação política, o governo Lula chamou de volta ao Brasil o embaixador Julio Bitelli, que desembarcou em Brasília sem qualquer previsão de retorno a Buenos Aires, congelando a normalização das relações até que haja uma retratação formal.
O estopim da crise ocorreu durante uma convenção partidária da extrema-direita em São Paulo, evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, Milei utilizou uma suposta visita privada ao território nacional para atacar frontalmente as autoridades máximas e as instituições democráticas do Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a conduta do líder ultraliberal como ríspida, grosseira e sem precedentes na história diplomática dos dois países. Vieira exigiu explicações imediatas da Casa Rosada e destacou a gravidade de um chefe de Estado estrangeiro cruzar a fronteira para inflamar palanques eleitorais e desrespeitar a soberania do país anfitrião.
O incômodo do Palácio do Planalto foi agravado pelo envolvimento institucional do próprio corpo diplomático argentino. A presença do chanceler Pablo Quirno e do cônsul-geral em São Paulo, Luís María Kreckler, no palco do evento partidário evidenciou que os ataques de Milei não foram um mero desabafo isolado, mas uma ação política coordenada com o aval de sua equipe de governo. Especialistas e diplomatas da ativa e aposentados na própria Argentina vieram a público condenar a postura irresponsável de seu mandatário, alertando que a submissão de Milei à agenda do extremismo global, alinhada aos interesses do ex-presidente norte-americano Donald Trump, rompe com uma tradição histórica de pragmatismo e boa vizinhança.
Esta já é considerada por analistas políticos como a crise diplomática mais severa entre as duas maiores potências da América do Sul nas últimas cinco décadas. Embora o Itamaraty mantenha abertos os canais de diálogo para evitar o colapso econômico no Mercosul, a permanência do embaixador brasileiro em Brasília serve como uma barreira política intransigente. O recado do governo Lula é claro e categórico: o respeito às instituições e à dignidade nacional não são negociáveis, e a normalização diplomática agora depende exclusivamente de um recuo e de um pedido formal de desculpas por parte de Buenos Aires.
Com informações do Brasil247
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