Davi Alcolumbre segura projeto do fim da escala 6x1 para enfraquecer Lula
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), adotou uma postura de enfrentamento direto aos interesses da classe trabalhadora ao travar a votação do projeto que acaba com a exaustiva escala de trabalho 6 por 1. A proposta, que já recebeu aval da Câmara dos Deputados em maio e prevê a redução da jornada para 40 horas semanais em cinco dias de trabalho com dois de descanso, permanece engavetada pela presidência da Casa. Aliados do senador confirmaram que a matéria foi deliberadamente retida para servir como barganha política e só será analisada após o pleito presidencial de outubro, quando o cenário eleitoral já estiver definido.
A paralisia da pauta trabalhista carrega um forte componente de revanche pessoal e cálculo político contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O atrito entre os dois se intensificou após a articulação de Davi Alcolumbre para impor uma derrota ao governo com a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal. Interlocutores relataram que o presidente do Senado condiciona o andamento do projeto ao desgaste da campanha de reeleição do governo, recusando-se a colocar em pauta uma proposta de apelo popular que faz parte das diretrizes centrais do plano de gestão da candidatura de Lula.
A estratégia de Davi Alcolumbre alinha-se diretamente aos interesses do setor empresarial e da oposição de extrema direita. Nos bastidores, grupos econômicos pressionam contra a aprovação da medida alegando impactos nos custos operacionais. Simultaneamente, o senador do PL e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, atua alinhado ao bloqueio, classificando a redução da jornada de trabalho como uma proposta meramente eleitoreira e estimando um suposto custo anual de 50 bilhões de reais para os municípios, em uma tentativa clara de esvaziar o debate social.
A manobra no Congresso Nacional coloca a população trabalhadora como refém de disputas pelo poder político. Pesquisas de opinião, como o levantamento da Quaest divulgado em julho, apontam que 69% dos brasileiros aprovam o fim da escala 6 por 1. Apesar da expressiva adesão popular e das sucessivas tentativas de articulação promovidas por lideranças do governo no Legislativo, o direito a dias de descanso adicionais permanece paralisado por decisão unilateral da cúpula do Senado.
Com a proximidade das eleições de outubro e o travamento intencional promovido pela presidência da Casa, a regulamentação do fim da escala 6 por 1 segue sem previsão de apreciação no plenário. O cenário expõe como uma demanda histórica do eleitorado é instrumentalizada para enfraquecer o projeto político do presidente Lula e atender às demandas da bancada patronal no Congresso.
Com informações da Fórum
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