André Mendonça liberou helicóptero de 41 milhões de advogado investigado antes de nova operação da PF
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A condescendência de setores do Poder Judiciário com advogados e empresários de grandes posses ganhou mais um capítulo controverso. O ministro André Mendonça, indicado ao Supremo Tribunal Federal pela gestão de Jair Bolsonaro, autorizou o advogado Nelson Wilians a voltar a utilizar um helicóptero de luxo avaliado em R$ 41,5 milhões. A liberação do veículo ocorreu apenas 15 dias antes de o próprio jurista virar alvo de uma nova operação da Polícia Federal, deflagrada para desarticular um esquema de venda de créditos falsos de ICMS.
A decisão assinada por André Mendonça determinou a expedição de ofício imediato à Agência Nacional de Aviação Civil para liberar a circulação da aeronave, fabricada em 2017 pela empresa italiana Leonardo e com capacidade para dez passageiros. Embora a ordem tenha mantido a restrição contra a venda ou transferência de propriedade do bem, a medida permitiu que o investigado retomasse o uso do equipamento, que havia sido apreendido pela Polícia Federal por ordem judicial anterior.
O recolhimento do helicóptero de luxo pelo STF ocorreu no âmbito da Operação Sem Desconto, ação que apura desvios e fraudes cometidos contra aposentados e pensionistas do INSS, caso sob a relatoria do próprio André Mendonça. Relatórios elaborados pelos investigadores da PF apontaram movimentações financeiras atípicas nas contas de Nelson Wilians, além de evidenciar suas conexões diretas com o empresário Maurício Camisotti, indicado pelas apurações como peça central nas irregularidades contra os segurados do sistema previdenciário.
Durante os mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na residência de Nelson Wilians na fase que apurava os golpes no INSS, os agentes apreenderam um acervo de alto valor econômico, composto por esculturas, diversas obras de arte e uma pintura do modernista Di Cavalcanti. O volume de bens materiais contrasta com o impacto financeiro provocado pelos esquemas investigados contra a população de menor renda.
Em depoimento prestado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito encarregada de apurar as fraudes na previdência pública, o advogado negou qualquer tipo de envolvimento em práticas ilícitas. Na ocasião, Wilians limitou-se a declarar que mantém apenas laços de amizade com o empresário Maurício Camisotti.
Procurado formalmente pela imprensa para prestar esclarecimentos a respeito da operação mais recente, referente ao esquema ilegítimo de créditos tributários de ICMS, Nelson Wilians não apresentou resposta.
Com informações do DCM
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