Rogério Correia aciona PF contra Flávio Bolsonaro por manobra em imóvel tomado de Richarlison
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A investida da bancada governista contra esquemas de favorecimento durante a gestão anterior ganhou mais um capítulo na Polícia Federal. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou uma notícia-crime junto ao órgão policial exigindo a abertura imediata de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A representação foca na transferência nebulosa dos direitos de ocupação de uma luxuosa mansão da União avaliada em R$ 10 milhões, situada na paradisíaca Ilha Comprida, em Angra dos Reis.
O documento embasa-se em dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação diretamente da Secretaria do Patrimônio da União (SPU). A documentação expõe uma disparidade gritante nos trâmites administrativos: enquanto procedimentos de regularização da mesma área arrastavam-se por quase três anos, um segundo processo aberto em 2022 avançou de forma atípica. Em apenas dois meses, o órgão governamental chancelou uma cadeia possessória defasada há mais de três décadas para favorecer a WT Administração de Imóveis e Bens, empresa sob controle do advogado Willer Tomaz de Souza, aliado próximo do filho de Jair Bolsonaro.
A peça apresentada pelo parlamentar aponta ainda uma série de manobras para viabilizar o negócio a qualquer custo. Três taxas de laudêmio e três multas permaneceram com status "a cobrar" sem o devido recolhimento ao erário público, enquanto o sistema interno teve um impedimento bloqueador superado mediante a emissão de uma certidão em modalidade especial. Relatórios da própria SPU, anexados à denúncia, confirmam o registro posterior efetuado por servidores do órgão que atestaram "fortes indícios" de inconsistências e aparente engenharia administrativa deliberada para acelerar a transferência do imóvel.
A mansão da discórdia esteve no centro de uma ruidosa disputa que envolveu também o jogador da Seleção Brasileira Richarlison. O atleta e seus representantes haviam adquirido a posse do imóvel em 2020 e investido milhões na propriedade, mas viram a posse ser repassada judicialmente para a empresa do aliado de Flávio Bolsonaro após investidas judiciais e administrativas. Na ocasião, o senador figurou como testemunha do processo e já havia demonstrado interesse direto na residência de praia.
Diante do conjunto de irregularidades, a notícia-crime formaliza o pedido para que a Polícia Federal identifique os agentes públicos e privados responsáveis pelos atos na SPU, audite os fluxos financeiros da operação e meça o eventual prejuízo causado ao patrimônio da União. A petição lista condutas que configuram, em tese, os crimes de inserção irregular de dados em sistema público, peculato, corrupção, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e infrações contra a ordem tributária, solicitando a quebra de sigilos bancários e fiscais dos envolvidos.
Veja aqui a notícia crime: AQUI
Com informações do DCM
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