Produtora Karina da Gama recorreu a André Mendonça para blindar investigação sobre filme de Bolsonaro
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A empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, recorreu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a suspensão imediata de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. A petição exige que o caso seja transferido para a relatoria do próprio magistrado no STF. As apurações tratam de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do inelegível Jair Bolsonaro.
Indicado por Bolsonaro, o ministro Mendonça acumula decisões favoráveis aos interesses da extrema direita tanto na Suprema Corte quanto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto conversas e dados do empresário Fábio Luis, filho do presidente Lula, foram criminosamente vazados a partir do gabinete do magistrado sem qualquer prova de ilegalidade, apurações que envolvem o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro permanecem sob absoluto sigilo e paralisadas no mesmo escritório.
A defesa de Karina protocolou o pedido no Supremo argumentando que a apuração paulista usurpa a competência da Corte. Os advogados sustentam que André Mendonça já é o relator do Inquérito nº 5.070/DF, que investiga desdobramentos diretos ligados à produção do longa-metragem e às conexões financeiras da obra.
O caso em São Paulo teve origem em um contrato suspeito entre a Prefeitura da capital e o Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à empresária, voltado para a instalação de pontos de internet. Segundo os advogados, a investigação de primeira instância usa o contrato como pretexto, mas busca apurar o verdadeiro fluxo de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme bolsonarista, matéria que já é objeto do STF no Inquérito nº 5.026/DF.
A petição questiona ainda o desmembramento do inquérito promovido pela Polícia Civil paulista, que tentou isolar as condutas do deputado federal Mário Frias (PL-SP). A defesa argumenta que a autoridade policial de primeiro grau não possui prerrogativa para fatiar investigações que envolvem parlamentares federais, cabendo exclusivamente ao STF decidir sobre a separação do processo em relação aos investigados sem foro privilegiado.
Ao requerer a paralisação de todas as diligências fora do âmbito do STF, o grupo ligado à produção da cinebiografia busca centralizar o processo sob a jurisdição do ministro indicado pela gestão anterior. Nem o deputado Mário Frias nem os responsáveis pelas investigações em São Paulo emitiram declarações sobre o recurso até o momento.
Com informações do DCM
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