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16/10/2026 11:46

Delegada Maria Virgínia, absolvida por morte de ex-namorado, é presa por vazar segredos ao PCC

Delegada Maria Virgínia, absolvida por morte de ex-namorado, é presa por vazar segredos ao PCC
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As investigações sobre a infiltração de organizações criminosas no aparato estatal e na segurança pública ganharam mais um capítulo alarmante nesta quinta-feira (15). A delegada da Polícia Civil do Pará, Maria Virgínia Grimwood Pinto, foi presa em Brasília durante o cumprimento de mandados da Operação Sinalagma. A policial é acusada de integrar um esquema de corrupção e cooptação financeira montado para fornecer informações confidenciais de inteligência policial e garantir proteção institucional a lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A prisão da servidora ocorreu no Setor Hoteleiro Norte da capital federal e foi coordenada pela Polícia Civil de Pernambuco em ação conjunta com a polícia paraense e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O Ministério Público do Pará apontou que a investigada mantinha ligações diretas e recebia vantagens financeiras indevidas de Renato Henrique do Carmo, conhecido como Gordão, uma das chefias da facção criminosa no litoral pernambucano, preso em etapa anterior do inquérito policial.

O conjunto de provas reunido pelas autoridades ao longo de seis meses incluiu a quebra de sigilo telemático e Relatórios de Inteligência Financeira do Coaf que expuseram operações de lavagem de dinheiro. Para ocultar a origem dos recursos provenientes da venda de segredos do Estado, a investigada recorria ao uso de documentos falsificados, empresas de fachada e contas bancárias registradas em nome de laranjas, visando dificultar o rastreamento das movimentações ilícitas promovidas pelo crime organizado.

A Operação Sinalagma resultou no cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão expedidos para as cidades de Brasília, Belém, Recife e São Paulo. Na capital do Pará, as equipes policiais vasculharam a residência da delegada e o seu gabinete funcional na Divisão de Polícia Administrativa da Delegacia-Geral. A ação das forças de segurança busca agora identificar outros servidores e agentes públicos eventualmente envolvidos no repasse ilegítimo de informações estratégicas à facção.

Esta não é a primeira vez que a delegada figura em processos do Poder Judiciário. Em 2003, Maria Virgínia respondeu a um processo criminal pelo assassinato do ex-namorado e inspetor de polícia Heldenilson Costa Holanda, ocorrido em Belém. Na ocasião, a acusada alegou que a vítima havia cometido suicídio e acabou absolvida pelo Tribunal do Júri em 2010, após o próprio representante do Ministério Público pedir a sua absolvição diante da fragilidade das provas periciais apresentadas.

A prisão da delegada por conluio com o PCC evidencia a gravidade do aparelhamento e da contaminação do serviço público pelo crime organizado no país. As apurações continuam em andamento para desarticular integralmente a rede de facilidades e assegurar que servidores corruptos que traem a confiança da sociedade e atacam a segurança pública respondam com rigor perante a legislação penal brasileira.

Com informações do Brasil 247

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