Prefeito de Nova Iorque gastou U$ 650 milhões do próprio bolso para governar a cidade
Magnata, que entrega o cargo hoje, gastou uma fortuna para governar Nova Iorque
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2867 visitas - Fonte: Estadão
Michael Bloomberg adora peixes tropicais. Assim, quando foi eleito prefeito, instalou dois aquários gigantes na sede da prefeitura. O custo da limpeza semanal dos tanques nos últimos 12 anos: US$ 62 mil.
O prefeito também adora lanchinhos. Por isso, pagou para oferecer a sua equipe um leve café da manhã (rosquinhas, iogurte, café) e um modesto almoço (salada de atum, sanduíche de geleia e manteiga de amendoim, frutas cortadas). O custo ao longo dos anos em que foi prefeito: e US$ 890 mil.
Bloomberg gosta de viajar. Sempre que levava seus assessores a algum lugar, ele o fazia com seu avião particular. O custo de todas essas viagens: US$ 6 milhões. Quando ele deixar o cargo, hoje, deixará como legado recordes como redução do crime, segurança nas calçadas e construções que transformam a paisagem de arranha-céus. Mas o número que mais impressiona é o que ele tirou do próprio bolso, que raramente chegou ao conhecimento do público.
Uma análise feita pelo New York Times mostra que Bloomberg gastou ao menos US$ 650 milhões em benefícios e mordomias, campanhas políticas e em defesa de causas, caridade e bandeiras sociais, além de viagens e hospedagem, despesas ligadas ao tempo em que ele exerceu o cargo de prefeito. No processo, ele subverteu a dinâmica financeira envolvendo o cargo mais alto de Nova York.
No passado, a cidade pagava ao prefeito. Bloomberg pagou para ser prefeito. Em jogadas que deixariam planejadores financeiros atordoados, ele rejeitou o salário de US$ 2,7 milhões ao qual teria direito (aceitando apenas US$ 1 por ano) e, a partir de 2001, abriu uma torneira de dinheiro que nunca parou de jorrar. Ele investiu US$ 268 milhões de sua fortuna pessoal nas três campanhas pela prefeitura.
Seja pessoalmente ou por meio de sua empresa, a Bloomberg LP, ele doou outros US$ 263 milhões a grupos de arte, saúde, direitos cívicos e cultura de Nova York. Doações de campanha? Ele distribuiu cerca de US$ 23 milhões.
Bloomberg chegou até a contribuir com US$ 5 milhões para reformar a residência oficial do prefeito na qual nunca morou. Mark Green, adversário de Bloomberg em 2001, o descreveu como "um Medici moderno", buscando um precedente no século 15.
Dependendo do ponto de vista, o desejo de Bloomberg de arcar com todas as despesas da prefeitura pode ser considerado animador (para os assessores), irritante (para os rivais), uma oportunidade para empregar melhor o dinheiro público (para o eleitorado) ou gesto de altruísmo (para os beneficiados pela generosidade dele).
Mas, para os que interagiram com o bilionário, sua passagem pelo governo foi incrível de se observar. Aos olhos de Chris McNickle, historiador da cidade, a fortuna de Bloomberg fez dele o mais poderoso prefeito desde o nascimento da Nova York moderna, no final do século 19. "Por estar livre das exigências de doadores de campanha, grupos de interesses especiais e partidos políticos, o poder dele foi intensificado e expandido", disse McNickle.
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