Por aliança no 2º turno, PSDB 'entrega' Pernambuco a Campos
Com a nomeação de tucanos para a Secretaria Estadual do Trabalho e para o Detran, presidenciável socialista fortalece “PSDB eduardista” e leva cabos eleitorais de Aécio
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1747 visitas - Fonte: RedeBrasilAtual
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), oficializou na manhã desta sexta-feira (3) o ingresso do PSDB em sua administração, pouco mais de dois meses após PT e PTB deixarem os cargos que ocupavam no governo estadual. Murilo Guerra, ex-superintendente do Sebrae em Pernambuco, foi nomeado para a Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo, enquanto Caio Mello, secretário de saúde do município de Camaragibe, assumirá a presidência do Detran – ambos representantes do que está sendo chamado de “PSDB eduardista” entre os adversários de Campos.
“Hoje pode-se dizer que os 'eduardistas' são a principal corrente do PSDB no estado, muito graças aos esforços do presidente nacional da legenda [o deputado federal Sérgio Guerra], que é daqui. Na Assembleia Legislativa, onde o PSDB tem seis deputados, apenas três atuam efetivamente como oposição; por outro lado, em 2008 e 2012, o PSDB cresceu muito nas eleições municipais graças ao apoio de Campos”, avalia Tereza Leitão, deputada estadual e presidenta estadual do PT.
Campos, em entrevista a veículos locais, também ressaltou a proximidade crescente entre PSB e PSDB para justificar a reorientação do seu quadro de aliados às vésperas das eleições presidenciais. “Nós tivemos um diálogo com o PSDB, um diálogo que sempre tive mesmo quando eles não votaram com a gente, mas eu sempre dialoguei, apoiei vários candidatos do PSDB em prefeituras em 2008 e 2012. Sempre tive relação preservada com o presidente do partido. Nós entendemos que nesse momento, na hora que alguns partidos saíam da base de sustentação, era a hora de fazer esse convite”, afirmou.
Para Tereza, o desdobramento dessa cooperação velada ao longo das últimas eleições é a amarração de um acordo para o segundo turno das eleições presidenciais deste ano, embora a aliança ainda não esteja fechada. “Ainda é cedo e ainda pode haver mudanças de posição até as eleições, mas foi um passo nesse sentido. O apoio partidário ao Aécio [Neves, senador por MG e pré-candidato à presidência pelo PSDB] em Pernambuco consiste em três deputados estaduais, o que significa que aqui ele só cumpre tabela. A polarização será entre Eduardo Campos, que está aglomerando as forças antipetistas, e a presidenta Dilma”, completa.
Após a nomeação dos novos secretários em Pernambuco, o 1º secretário do PPS no Estado, Eliezer Ferreira, resumiu em sua conta no Twitter a configuração final dessa “aliança antipetista”: “em Sergipe eu vou defender o bloco PPS+PSDB e DEM, para presidente Eduardo Campos PSB e PPS”, escreveu.
A união em Pernambuco dá continuidade à articulação entre os dois partidos em âmbito estadual com o objetivo de fortalecer as campanhas presidenciais de Aécio e Campos, que precisa ainda absorver as demandas de Marina Silva e das lideranças que estão no PSB apenas até fundarem a Rede Sustentabilidade, após as eleições. A ex-ministra tem sido apontada como principal articuladora contra a continuidade do apoio do PSB ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), enquanto em Minas Gerais, o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), nome forte para o cargo de governador, deve abster-se da disputa para não atrapalhar a reeleição de Antônio Anastasia (PSDB).
Falta discussão estrutural
Paulo Douglas Barsotti, doutor em Ciência Política e professor da FGV, vê com pouco entusiasmo a costura de alianças para as eleições deste ano. “O debate, como um todo, se afastou da política e está voltado para questões administrativas e as alianças partidárias. Ainda não nos foi apresentada uma alternativa para o Brasil, um plano para o país, apenas ajustes em um modelo que não muda radicalmente desde a redemocratização”, avalia.
“No caso do Eduardo Campos, ele não pode ser agressivo em relação ao governo Dilma. Ele acumulou o capital político que tem hoje sendo ministro desse governo, mesmo que esteja se aproximando do PSDB. Teve seu melhor momento quando surpreendeu a todos com a aliança com Marina Silva, mas isso não se desenvolveu em um discurso renovador. Não adianta dar ênfase a novas questões, como a do meio ambiente, sem apresentar, de fato, um projeto”, completa Barsotti.
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