Fernando Jorge: A corrupção no Brasil é absoluta
Compartilhe
2903 visitas - Fonte: Plantão Brasil
Desfechado o Golpe de 1964, os militares alçaram a bandeira da luta contra o comunismo e a corrupção. No entanto, nunca houve tanta corrupção no pais como a que nós vimos ao longo do chamado “Movimento de 31 de março de 1964”.
Espalhou-se o fedor das mordomias, das sinecuras, dos peculatos, dos estarrecedores escândalos financeiros causados por empresas falidas, mas ajudadas pelo Banco Central, o cheiro nauseabundo dos casos do Halles, do Grupe Lume, da Crecif, da Audi, da Copeig, da Capemi, da Copersucar, da Coroa-Brastel, da Corretora Laureano. Só esta, por exemplo, trouxe prejuízos à nação da ordem de 46 bilhões de cruzeiros, uma soma que permitiria construir, de maneira folgada, cerca de 4.400 casas populares.
Um dos líderes no Senado da campanha pela redemocratização, o gaúcho Paulo Brossard, sintetizou tudo na seguinte frase, em 1978:
“A democracia neste pais é relativa, mas a corrupção é absoluta.”
Tancredo Neves, no dia 16 de janeiro de 1985, foi eleito presidente da República. Eu liguei a minha televisão nesse dia e vi um repórter da TV Globo perguntar isto ao Fernando Henrique Cardoso, Iá no Congresso Nacional:
-Professor, agora, com a eleição do doutor Tancredo, ainda vai haver corrupção no Brasil?
Fernando Henrique respondeu, muito eufórico:
-Ah, isto não, isto não, nunca mais, nem daqui a cem anos!
O repórter quis saber:
-E por quê?
Verboso como sempre, o Fernando Henrique explicou:
-Não vai haver mais corrupção no Brasil porque nós, do PMDB, montamos uma esplêndida máquina para fiscalizar a máquina do Estado. A nossa máquina vai funcionar dia e noite, sem parar. Qualquer ato de corrupção será imediatamente descoberto e denunciado por nós!
Essa engrenagem, se ela existiu, nunca funcionou, pois do contrário, de 1990 a 1992, os deputados Cid Carvalho, Manoel Moreira e Genebaldo Carvalho não teriam lesado o Orçamento Federal. Citei apenas os três porque eles eram do PMDB, do partido que havia montado, segundo Fernando Henrique, a tal máquina capaz de denunciar os atos de corrupção. Aliás, como informa a edição do dia 28 de junho de 1990 do jornal O Estado de S. Paulo, o senhor Almir Candury, do PMDB de Rondônia, candidatou-se a deputado e prometeu:
-Vou ser o mais corrupto dos deputados. Estou comprando votos e disposto a fazer qualquer acordo, com papel passado em cartório, para me eleger.
Depois ele acrescentou:
-Quero ficar milionário com o meu mandato... O importante é que, de fato, sou o candidato da corrupção. Roubar todos roubam hoje em dia no Brasil.
Incrível, quanta desfaçatez! Cadê a máquina do PMDB contra a corrupção, ó Fernando Henrique? Ela é tão eficaz como a máquina de explorar o tempo do livro de H. G. Wells? E me responda, amigo leitor: acha que eu exagerei, quando disse que o outro nome do Brasil é Corruptolândia?
Fernando Jorge é jornalista, escritor, historiador, biógrafo, crítico literário, dicionarista e enciclopedista brasileiro.
Visite seu site: http://www.fernandojorge.com/
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
