Pimentel: Visão financista contaminou empresários
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Pré-candidato ao governo de Minas, o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, aponta má vontade do setor financeiro em relação ao governo Dilma, porque os rendimentos não foram "tão vultosos" como no passado; na mesma entrevista, ele afirma que a presidente Dilma não tem qualquer viés negativo em relação aos lucros do setor empresarial; ele diz ainda que o governo não combaterá inflação com recessão
Prestes a deixar o Minsitério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para concorrer ao governo de Minas Gerais, o ministro Fernando Pimentel concedeu uma entrevista aos jornalistas Valdo Cruz e Raquel Landim, em que nega uma crise de confiança entre o governo e o setor privado.
Segundo ele, a percepção negativa em alguns setores decorre da má vontade do mercado financeiro. "No Brasil você tem um fenômeno, que está sendo superado agora: o nosso empresariado ainda é muito influenciado pelas análises do mercado financeiro. Como o mercado financeiro não proporcionou rendimentos tão vultosos como gostaria, existe mesmo, da parte destes analistas, uma certa má vontade. E isso acaba influenciando os empresários de maneira geral", diz ele.
Pimentel também negou que o governo tenha qualquer viés negativo em relação ao lucro das empresas. "Vamos separar um pouco as coisas. A presidente Dilma não tem uma visão preconceituosa em relação a lucro. Estou dando um exemplo concreto: acho que a indústria automobilística tem margens muito altas, mas isso é um problema do mercado e o governo não vai intervir para reduzir margem de lucro. Outra coisa é uma concessão: você está tratando de um bem público. Aí, o governo pode arbitrar. Pode induzir a que a concessão não fique extremamente onerosa para o usuário, proporcionando um lucro extraordinário. É uma preocupação justa de qualquer governo."
Sobre as pressões inflacionárias, o ministro afirmou o que o governo jamais fará: recessão. "O Brasil tem um fenômeno estrutural na economia que mantém nossos índices de preços acima do centro da meta. Não é nenhum desleixo do governo, é uma característica da nossa economia. Tem a ver com a pressão de demanda forte, que é boa, porque sustenta o nosso crescimento, tem sustentado o nível de emprego. Em princípio, essa pressão de preços é um subproduto indesejado de um crescimento muito bom (...) Eu sei como não trabalhar isso. Com recessão. O sujeito que vier propondo fazer uma recessão para voltar a inflação para zero, por exemplo, vai ser repudiado pela sociedade brasileira. Mantendo a inflação sob controle, e ela está sob controle efetivamente, tem de ir aos poucos combatendo as causas estruturais."
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