Governo prepara medidas para conter alta no preço dos alimentos
Ministério da Agricultura avalia que a escalada dos preços dos alimentos continuará nos próximos dois meses, libera estoques de milho, especialmente para o Nordeste, e discute medidas para ajudar os produtores de hortifrutigranjeiros
Compartilhe
1306 visitas - Fonte: Estadão
O festival de aumentos dos preços dos alimentos levará o governo a tomar medidas para atenuar a alta da inflação. Em reunião prevista para terça-feira, a câmara técnica do Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos (Ciep) determinará a venda de estoques de milho para abastecer algumas regiões, sobretudo o Nordeste, e discutirá ações em alimentos básicos, como o feijão, afetado pelo clima nas principais áreas produtoras do País.
O movimento do conselho corrobora o alerta do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, aos senadores nesta semana, sobre o impacto do choque de preços nos alimentos na inflação. Em plena safra dos grãos, esperava-se recuo nos preços. Mas as cotações seguem trajetória ascendente pela terceira vez nos últimos anos.
No governo, avalia-se que a escalada dos principais itens de alimentação continuará nos próximos dois meses. "Temos essa preocupação, sim. Por isso, vamos tomar medidas", disse o novo ministro da Agricultura, Neri Geller, ao Estado.
Os elementos que sustentam a previsão reservada do governo vão desde a seca prolongada até as chuvas que afetaram hortigranjeiros, gerando a "inflação da salada". Nessa conta também está a demora na recomposição dos estoques globais, a redução da oferta mundial de produtos básicos, incluindo milho nos Estados Unidos e trigo na Ucrânia. A origem da escalada, avalia-se, está na quebra histórica da safra americana de 2012 e na mudança estrutural do padrão de consumo na Ásia, especialmente na China.
Crédito. O governo avalia lançar uma linha de financiamento para estufas que cobrem hortigranjeiros, o que ajudaria a reduzir estragos das chuvas, além de incentivar o setor de sementes. "A qualidade é baixa e os preços estão altos", diz o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Osmar Dias. "Sem semente, não tem recuperação da safra." Os preços internos se mantêm elevados por algumas razões. E os estoques finais dos grãos no Brasil, à exceção do milho, estão abaixo da média histórica das últimas cinco safras.
A cesta básica está em alta: o índice Ceagesp, referência nacional para 150 produtos, subiu 3% em 2013 e quase 8% em janeiro e fevereiro - 34% em legumes e 61% em verduras.
A cotação da soja, avalia o governo, deveria estar 20% mais baixa, o que ajudaria a conter o preço das carnes, em franca disparada nos últimos dias - a arroba do boi passou de R$ 95 para R$ 120 e os preços do leite subiram 7,3% sobre janeiro de 2013. O milho, prejudicado pela seca, tem safras menores a cada ano. Base da ração de bovinos, suínos e aves, saltou de R$ 26,54 para R$ 33 a saca só neste ano.
No arroz, produtores capitalizados seguram o produto à espera de cotações mais altas. Mesmo com safra nova, a saca subiu de R$ 33 para R$ 36 neste ano. O preço do feijão passou de R$ 80 para R$ 130 a saca. E o trigo subiu forte, de US$ 307 para US$ 338 a tonelada.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
