Levante faz escracho do torturador Calandra
Cerca de 100 jovens denunciaram a participação do ex-delegado em assassinatos, estupros e tortura durante o regime.
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2669 visitas - Fonte: Conversa Afiada
O Conversa Afiada reproduz artigo do Levante Popular da Juventude:
LEVANTE FAZ ESCRACHO DO TORTURADOR CALANDRA EM SP
Da Comunicação Levante
O movimento social Levante Popular da Juventude, realizou na manhã desta terça-feira (1) um escracho para expor publicamente o ex-militar e delegado acusado de tortura, abusos sexuais e homicídios durante a ditadura militar (1964-1985), Aparecido Laertes Calandra. O ato ocorreu em frente à casa do torturador, na Vila Independência em São Paulo.
Cerca de 100 jovens denunciaram a participação do ex-delegado em assassinatos, estupros e tortura durante o regime, com cartazes que traziam estampados os rostos de presos políticos mortos durante a ditadura.
O MPF moveu uma ação civil pública para que Calandra fosse pessoalmente responsabilizado pelas práticas criminosas. Ele tem envolvimento no desaparecimento do estudante Hiroaki Torigoe, na tortura e morte do ex-dirigente do PCdoB Carlos Nicolau Danielli e na construção do cenário da morte do Vladmir Herzog.
Calandro, que era chamado de Capitão Ubirajara, é responsável também pela prisão e tortura de Maria Amélia, do jornalista Sérgio Gomes, do deputado estadual Adriano Diogo, do jornalista Arthur Scavone e do deputado federal Nilmário Miranda.
Maria Amélia de Almeida Teles e seu marido Cesar Augusto Teles relataram à Auditoria Militar, já em 1979, detalhes das violências que sofreram. Sequestrados no dia 28 de dezembro de 1972, foram levados para a sede do destacamento militar na Rua Tutóia:
“Arrastaram-nos para três salinhas separadas, duas no andar de cima e uma na parte térrea. Nessas salas, havia o equipamento de torturas: cadeiras-do-dragão, onde éramos amarrados e levávamos choques elétricos por todo o corpo nu, “paus-de-arara”, palmatórias e toda uma aparelhagem de violentação do ser humano (…) Durante todo o tempo, ouvimos seus gritos [de CARLOS NICOLAU DANIELLI] de dor que foram se tornando cada vez mais fracos e roucos. (…) No fim do segundo dia de prisão, pudemos ver Danielli, já quase morto, nu, meio sentado no chão e encostado à parede, com a cabeça tombada, os olhos semi-abertos e a barriga enorme, muito inchada, seu corpo cheio de manchas roxas e feridas. (…) No dia 30, o corpo foi retirado da OBAN numa maca. Estava todo sujo de sangue: nos ouvidos, boca, nariz. Danielli estava morto.
“O ato é para pedir a punição dos torturadores e mostrar que esses torturadores ainda estão soltos e nem os vizinhos sabem disso. A gente quer uma transição democrática em nosso país, ainda continuam ocorrendo assassinatos, desaparecimentos e perseguições de militantes e lutadores dos movimentos sociais”, disse um dos porta-vozes do movimento, a estudante de Letras da USP Luiza Troccoli.
O Levante Popular da Juventude começou a se organizar a nível nacional em 2012 com escrachos em todo Brasil. O movimento reúne jovens de universidades, das periferias das cidades e do campo. Hoje conta com aproximadamente 10 mil militantes no país. Também participaram do ato membros do Juntos (PSOL), do PT, da Consulta Popular e do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça.

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