Petrobras: como transformar um acidente em desastre e “incompetência”
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2044 visitas - Fonte: Tijolaço
Imagine o caro leitor que você tenha comprado aparelhos de ar-condicionado.
E que chamou, para instalá-lo, uma das mais conceituadas firmas do mercado.
Bem, o instalador comete um erro e deixa cair o aparelho, que se espatifa.
Qual é a sua culpa nisso? Nenhuma.
Como, por sorte, você tem um segundo aparelho, ele é instalado no lugar do primeiro enquanto se providencia outro.
É exatamente isso o que se passou com a história da “Petrobras ter deixado cair no fundo do mar um tubo de 2,3 km”.
A Petrobras contratou a empresa Saipem.
A Saipem não é uma empresa de fundo de quintal, nem do sobrinho do gerente da filial.
A Saipem é a maior empresa do mundo em instalação de óleo e gasodutos pelo método J-Lay, o mais adequado a instalação de dutos em águas ultraprofundas.
É uma controlada da tradicionalíssima ENI, uma das maiores empresas de petróleo do mundo.
Que já fez serviços iguais na Alemanha, na Finlândia, na Austrália, na África, na Rússia, na Espanha, no Brasil…
A Saipem trouxe seu navio Saipem FDS 2, o mais moderno de sua frota e começou a instalar o duto.
Não é um barquinho mambembe com alguém a segurar um canudo num guincho. É este fato aí de cima, com o esqueminha de como desce o duto para o fundo do mar.
A Saipem recebeu o duto e foi colocá-lo.
Um cabo do guincho do navio rompeu-se e a “ponta” afundou.
Tudo se passou na Saipem, não na Petrobras, apenas a sua cliente.
O içamento não é impossível, mas poderia comprometer a resistência do material, que agora está vazio, mas trabalhará cheio de petróleo e sob pressão e não pode ter risco de vazamento.
E como a operação é toda coberta por seguros, melhor repor o duto.
Você não aceitaria um ar-condicionado remendado, não é?
Prejuízo para a Petrobras?
Só se fosse no prazo.
O que não será, senão por alguns poucos dias, porque havia outro tubo, comprado para ser instalado no segundo semestre.
O cronograma de produção pouco ou nada será alterado.
Mas, para a imprensa brasileira o que importa é chamar você, digo, a Petrobras, de incompetente.
Competente é a turma da Petrobras do Fernando Henrique, quando a empresa viveu os dramas da P-36 e da inundação de petróleo na Baía de Guanabara e estão aí, deitando regras sobre como deveria ser a exploração de petróleo…
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