Mino, Gilmar, Ellen e Dantas
A Carta Capital trata da “doce vida do corruptor”
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1299 visitas - Fonte: Conversa Afiada
O Conversa Afiada reproduz magistral artigo de Mino Carta na edição da Carta desta semana que tem como tema “a doce vida do corruptor”.
Por falar nisso, quando o Presidente Barbosa vai levar a julgamento a legitimação da Satiagraha, contida na RE 680967 ?
Ou abrir ao distinto público o Inquérito 2474 ?
Viva o Brasil, não é, Mino ?:
RECORDAR É MAL VIVER
Lembranças de dois momentos vividos como jornalista e como cidadão, a mostrar um Brasil muito complicado
por Mino Carta
Nunca esquecerei aquele dia de 2008, em que o ministro da Justiça, Tarso Genro, me telefonou em estado de graça. “Viu, viu – disse no tom do entusiasmo –, acabamos de prender Daniel Dantas.” Em ótima fé, premiava CartaCapital, que nunca esmoreceu na denúncia das façanhas ilegais do banqueiro do Opportunity. A Operação Satiagraha atingira o alvo. Em vão, como todos sabem.
Com a colaboração inicial de Gilmar Mendes, que ao longo do episódio chegou a “chamar às falas” o presidente Lula e, secundado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, pediu a cabeça do então diretor da Abin Paulo Lacerda, Dantas foi solto e vive até hoje livre como um passarinho feliz. Melhor, como um pássaro graúdo e de rapina a sobrevoar o País. Lacerda sofreu o ostracismo e foi exilado para a embaixada em Lisboa, enquanto Gilmar Mendes afirmava ter sido grampeado pela Abin juntamente com o então senador Demóstenes Torres, de deplorável memória.
Mais tarde verificou-se que a Abin não tinha condições técnicas para grampear quem quer que seja, nem por isso houve algum gênero de desagravo a Lacerda, honrado delegado de límpida carreira, tampouco para Protógenes Queiroz, que comandara a Satiagraha e de quem pretendeu-se alegar a incompetência.
Também não consigo esquecer um dia do final de 2005, quando Paulo Lacerda, então diretor da própria Polícia Federal, me iluminou, e espantou notavelmente, a respeito do destino do disco rígido do Opportunity, apreendido pela Operação Chacal. Entregue o disco ao Supremo, esperava-se que fosse aberto. Cabia a decisão final à ministra Ellen Gracie, mas o tempo passava e o nihil obstat não vinha.
Perguntei a Lacerda qual seria a razão da demora. Respondeu, rápida e textualmente: “Se abrirem, acaba a República”. A mesma frase eu ouviria mais tarde de outras bocas. O enterro da Chacal e da Satiagraha é um excelente exemplo de quanto move a reportagem de capa desta edição.
2
Aqui e acolá aparecem na mídia nativa referências à possibilidade de que Lula assuma o lugar de Dilma no próximo embate eleitoral. Pergunto aos meus intrigados botões: por que será? Hoje estão loquazes, começam de longe, só faltaria evocarem os sumérios. Felizmente, não é bem assim, mas verdade factual é que do assunto fala-se há tempo, assim como havia gente de boa-fé entre quem aventava a hipótese.
Sim, sim, digo eu, mas por que agora? Sem contar que a boa-fé não é própria da mídia nativa. Ora, dizem os botões, o propósito é claro e óbvio: trata-se de inquietar o ambiente petista e tentar criar fricções entre Dilma e Lula. Semear a cizânia, diria um evangelista. O jornalismo pátrio não prima pela sutileza. Isto é da tradição: afirma isenção, equidistância, pluralidade, enquanto toma partido sempre e sempre a favor da casa-grande. Normal, não é mesmo? Os patrões da mídia nativa são inquilinos estáveis da mansão, além de hipócritas natos e hereditários.
Volto à carga: mas por que Lula haveria de arrancar a candidatura da sua criatura? Pois é, dizem os botões, não há razão alguma, conveniência política que seja. Sim, caiu um pouco a popularidade da presidenta, as pesquisas, entretanto, teimam em apontar sua vitória no primeiro turno. E se ganha Dilma, o PT fica no poder por 16 anos e, quem sabe, Lula venha a ser o candidato, isto sim, em 2018. A tigrada, observam os botões, ficou animada com a entrevista do ex-presidente aos blogueiros confiáveis porque ali não deixou de chamar a atenção da criatura quanto a algo evidente: cabe a ela, em primeiro lugar, expor as razões de sua reeleição.
De fato, os papéis de cada qual mudaram. Em 2010, era dever de Lula expor os motivos de sua escolha. Agora, o dever de defender o governo, o seu governo, fica para Dilma. A qual não errou ao dizer que a campanha desencadeada pelo affair Pasadena (mau e nebuloso negócio) visa à destruição da Petrobras. Trata-se, parece-me, de uma visão a médio, ou longo, prazo, caso se encerre o reinado petista. A presidenta poderia ter lembrado que, com o tucanato no poder, cogitou-se da privatização da estatal com o apoio dos jornalões, em delírio. Em outros tempos, a isto se chamava de entreguismo.
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