Motoristas de São Paulo: sindicato tem histórico de filiações, desfiliações e conflitos
Relação com administrações municipais sempre foi conturbada, e eleições têm violência como característica por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 22/05/2014 09:20
Compartilhe
877 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, que em 2013 completou 80 anos, é atualmente ligado à UGT, mas tem no seu histórico recente filiações à CUT, à Força Sindical e à Nova Central. A vinculação sindical não altera tanto a prática política da entidade, marcada por desavenças internas que, não raro, resultam em paralisações. O grupo que venceu as eleições em 2013, por exemplo, e hoje critica a atuação de dissidentes foi o mesmo que no ano passado, antes do processo eleitoral, paralisou parte dos terminais da cidade.
E não são apenas desavenças internas. Em várias ocasiões, as greves no transporte coletivo configuraram confronto direto com a administração. Ficaram na memória paralisações como a de 1992, que durou nove dias, em maio de 1992. Os motoristas chegaram a cercar, com ônibus, o Palácio das Indústrias, no parque Dom Pedro II, que era sede da prefeitura na gestão de Marta Suplicy (2001-2004), que, por precaução, durante certo período chegou a trabalhar de colete.
Mais de uma vez, sindicalistas chamaram a atenção para o poder que tinham, de fato, de parar a cidade. Um poder que não se restringe ao sindicato, mas está também nas garagens. Prefeitos também enfrentaram dificuldades no trato com representantes de empresários e de trabalhadores, seja em época de municipalização (como durante a gestão de Luiza Erundina, de 1989 a 1992) ou em fase de privatização e desregulamentação (Paulo Maluf, 1993-1996). Acusações de locaute e enriquecimento ilícito ocorreram em mais de uma ocasião. Sempre foram negadas. O sistema de concessão de linhas alimentou disputas.
No plano sindical, cada eleição costuma ser sinônimo de tensão e violência. Há mortes até hoje sob investigação. A do ano passado, por exemplo, foi adiada por causa de tiroteios. Foi realizada dois meses depois da data original após interferência do Ministério Público. A chapa de oposição, vitoriosa, tinha gente saída da própria direção do sindicato, entre eles o atual presidente, Valdevan Noventa, ex-vereador por Taboão da Serra e ex-candidato a deputado federal pelo PDT, e o vice, Edivaldo Santiago, ex-petista e líder dos motoristas desde o final dos anos 1980, que mais de uma vez apoiou diretorias e rompeu alianças.
Valdevan e Edivaldo romperam com o então presidente, Isao Hosogi, o Jorginho, que era candidato à reeleição. A chapa da situação, com Jorginho à frente, teve apoio de quatro centrais: CUT, Força Sindical, CTB e Nova Central. Teria uma torcida velada da prefeitura. Mas perdeu para a chapa de Valdevan, que foi apoiada pela UGT. Entre a bancada de vereadores paulistanos eleita em 2012, estava, com 29 mil votos, Vavá do Transporte (Valdemar Silva, do PT), oriundo dos Sindicato dos Motoristas.
Edivaldo já presidiu o sindicato em quatro ocasiões, inicialmente em uma direção da CUT. Em 1994, ele apoiou Luiz Gonçalves, o Luizinho, hoje na direção estadual da Nova Central, mas perdeu para José Alves do Couto Filho, o Toré, então na CUT e hoje na Nova Central. Em 1997, houve nova divisão: Gregório Poço, atual suplente de vereador pelo PCdoB, venceu – com apoio de Edivaldo e de Luizinho. Três anos depois, Edivaldo voltou ao comando da entidade.
Em 2003, foi a vez de Luizinho vencer a eleição (também com apoio de Edivaldo), numa disputa com três chapas (Força Sindical, CUT e CGT), com a apuração dos votos realizada no quartel da Rota, por motivos de segurança – no ano seguinte, Luizinho foi substituído por Jorginho, que venceria em 2008.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
