Mantega: Copa deve ajudar PIB no segundo trimestre
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Ao comentar a desaceleração na economia com o crescimento de 0,2% no primeiro trimestre, ministro da Fazenda afirmou que Mundial, que começa em junho, pode influenciar positivamente o avanço do PIB; segundo ele, o evento vai beneficiar mais os setores de comércio e serviços
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira 30 que a Copa do Mundo pode influenciar positivamente o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do País no segundo trimestre. Segundo ele, o evento vai beneficiar mais os setores de comércio e serviços.
Mantega afirmou ainda que o desempenho da economia brasileira no primeiro trimestre foi afetado pela recuperação demorada no cenário internacional e pela inflação alta.
Ao comentar a desaceleração do PIB do País para um crescimento de apenas 0,2 por cento no primeiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, Mantega destacou que a inflação maior prejudica o consumo das famílias.
Abaixo, reportagem da Agência Brasil:
Mantega atribui PIB a câmbio, inflação e fatores externos
Flávia Albuquerque - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, atribuiu à volatilidade cambial, aumento da inflação e crédito escasso para o Produto Interno Bruto (PIB) ter crescido 0,2% no primeiro trimestre do ano, conforme divulgado hoje (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o ministro, no primeiro trimestre, houve aumento da inflação, subindo em fevereiro e março, o que afetou o consumo das famílias, além do crédito caro e escasso. "Embora a massa salarial tenha crescido e o número de empregados e salário venha aumentando, o crédito está mais escasso e a inflação, principalmente para os alimentos, diminuiu o consumo das famílias".
A expectativa de Mantega é que a inflação no país caia nos póximos meses. "A inflação vai ser bem menor do segundo trimestre, o que significa devolver poder aquisitivo para as famílias e consumidores. A volatilidade internacional também deve cair e isso gera uma calmaria no mercado cambial e bolsas de valores".
De acordo com o ministro, a estratégia usada pelo governo de combate à inflação é producente, pois um país com inflação alta não tem condições de crescer. "É isso que nós não estamos permitindo. A inflação pode subir um ou dois meses em função de fatores sazonais, como a alta dos alimentos, que já estão com seus preços caindo. No segundo trimestre, será muito menor do que no primeiro", disse.
Mantega destacou ainda a influência de fatores negativos, como a demora da recuperação da economia internacional. "Nos Estados Unidos, vimos um crescimento negativo de 1%, com queda de investimento e a demanda não crescendo. Isso nos prejudica porque os EUA importou menos produtos do mundo. Mesmo a Europa teve crescimento abaixo das projeções".
De acordo com Mantega, em janeiro e parte de fevereiro, a volatilidade cambial causou incertezas no mercado e atrapalhou o desempenho dos países emergentes, derrubando bolsas. Porém, na avaliação do ministro, foi um momento de instabilidade localizado. "Ao longo do trimestre, isso melhorou, mas atrapalhou o desempenho dos dois primeiros meses".
Com relação ao fluxo de capitais, Mantega disse que o cenário é positivo e que o país tem recebido forte investimento internacional direto. "O investimento ficou forte em 2013 tendo crescido mais do que a maioria dos países", disse.
Conforme o ministro, a demanda do comércio varejista está se recuperando e há possibilidade de melhoria da concessão de crédito, já que a inadimplência vem caindo nos últimos dois anos e é uma das mais baixas registradas no país (3%). "A queda da inadimplência é um fator que cria condições para que o crédito possa voltar. As condições existem".
Segundo Mantega, a baixa confiança do consumidor não é um fenômeno brasileiro e ocorre em outros países também. Para ele, a confiança deve aumentar assim que a economia apresentar resultados melhores. "[Queda de] Confiança não é fenômeno só de Brasil. Outros emergentes também registraram queda de confiança no ano passado, devido à política do Fed [Banco Central dos Estados Unidos] que alterava os fluxos de capitais. Pode haver demora, mas a tendência é a de que melhore".
O ministro evitou fazer previsões para o restante do ano, e ressaltou que qualquer nova previsão será feita ao longo dos períodos com base nos próximos resultados.
O ministro comentou ainda a revisão do PIB do ano passado, que havia ficado em 2,3% e passou para 2,5%. Entre as principais razões para a mudança, está a avaliação de um melhor desempenho da indústria, que passou de 1,3% para 1,7; e particularmente a indústria de transformação, que passou de 1,9% para 2,7%. Houve ainda redução da formação bruta de capital de investimento de 6,3% para 5,2%.
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