Volume útil do Sistema Cantareira pode chegar a zero antes do fim da Copa
Relatório indica que, se as chuvas não vierem, reservatórios que compõem o Cantareira passarão a receber apenas o chamado volume morto, que só resistirá a outros 100 dias
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899 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
Estudo apresentado na quinta-feira (26) pelo Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) indica que o volume útil do Sistema Cantareira – que abastece grande parte da região metropolitana de São Paulo, inclusive a capital, além da região de Campinas e Piracicaba, chegará a zero entre os dias 7 e 8 de julho, ainda antes do final da Copa do Mundo.
A partir desta data, diz o relatório, a falta de chuva fará com que todo o sistema passe a operar exclusivamente com o chamado volume morto, que por sua deve ser suficiente para, no máximo mais que 100 dias de abastecimento.
Pesquisador da Unicamp e consultor do consórcio, Antônio Carlos Zuffo explicou, ao apresentar o estudo, que dos quatro reservatórios que compõem o sistema, dois (o Jaguari e o Jacareí) já estão captando o volume morto, que é lançado nos outros dois reservatórios (Cachoeira e Atibainha) para mantê-los com volume positivo. “Porém, daqui a 10 dias, os reservatórios que ainda não recorreram diretamente à reserva só terão em sua capacidade água vinda deste recurso, ou seja, a água que em condições normais é utilizada para o abastecimento já terá se esgotado.”
“Isso indica o perigo de desabastecimento. Caminhamos a passos largos para o desabastecimento, estamos em plena crise, não dá para negar”, completou. Para o especialista, desde o fim do ano passado deveria ter sido implementado um sistema de rodízio ou racionamento para evitar o esgotamento do recurso.
Solidariedade
O PCJ apresentou também uma proposta de captação e distribuição de água baseada em um modelo utilizado em estados do Nordeste em tempos de escassez. Segundo o modelo, deve haver um revezamento entre os setores industrial, urbano e agrícola, de forma a evitar um pico de consumo em um mesmo período.
“É um modelo baseado na solidariedade. O organismo gestor participa, mas a própria comunidade executa e compartilha as ações. É preciso sensibilizar os usuários para que a água não falte para ninguém.”, explicou o secretário Executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahoz.
Para que seja executado, o plano deve ter a adesão total dos usuários – municípios, indústrias e produtores agrícolas que têm autorização para fazer captação dos rios que compõem o sistema. Segundo o secretário, embora o Sistema Cantareira abasteça a Grande São Paulo, e as regiões de Campinas e Piracicaba, em caso de desabastecimento, as duas cidades do interior sentiriam mais os reflexos porque a capital possui mais de um sistema para o abastecimento. "Na Grande São Paulo, 30% do consumo depende do Cantareira. Aqui na região, só temos o Cantareira, e os nossos lençóis freáticos já estão baixos", explicou.
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