Henrique Alves: Decreto sobre conselhos fere lei
Compartilhe
713 visitas - Fonte: Brasil 247
Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, decidiu apoiar o projeto que susta os efeitos do decreto presidencial que cria a Política Nacional de Participação Social: “O decreto está em desarmonia com o princípio de separação dos poderes. Cabe ao Congresso a formulação de políticas públicas por meio de lei e após o amplo debate entre todas as forças políticas da situação e da oposição, sob as mais diversas demandas de qualquer grupo da sociedade, alinhado ou não ao governo”
O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, decidiu apoiar nesta terça-feira (1º) o Projeto de Decreto Legislativo 1491/14, que susta os efeitos do decreto presidencial (8.243/14) que cria a Política Nacional de Participação Social. O decreto institui conselhos populares para assessorar a formulação de políticas públicas pelo governo.
Para Alves, ao impor a órgãos e entidades da administração pública direta e indireta o dever de considerar a opinião dos conselhos populares na formulação de políticas públicas, o decreto presidencial invade prerrogativas do Congresso Nacional.
“O decreto está em desarmonia com o princípio de separação dos poderes. Cabe ao Congresso a formulação de políticas públicas por meio de lei e após o amplo debate entre todas as forças políticas da situação e da oposição, sob as mais diversas demandas de qualquer grupo da sociedade, alinhado ou não ao governo”, disse o presidente da Câmara.
Segundo Alves, a decisão de apoiar a anulação dos efeitos do decreto presidencial foi tomada após o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ter negado a sugestão de encaminhar, por meio de projeto de lei, a criação da Política Nacional de Participação Social.
“Assim, na defesa das prerrogativas constitucionais desta Casa e do seu protagonismo na interlocução entre o Estado e a sociedade, submeto à deliberação do Plenário o requerimento que pede urgência para a votação do projeto”, anunciou Alves.
Em razão do quórum insuficiente para a votação do regime de urgência, cuja aprovação depende do voto favorável de 257 deputados, partidos de oposição, contrários ao ato da presidente Dilma Rousseff, concordaram em votar nesta terça-feira apenas o projeto que torna lei o programa Cultura Viva (PL 757/11). No entanto, a oposição exigiu que o pedido de urgência seja mantido como o primeiro item da pauta da próxima sessão do Plenário.
Questionamentos
Henrique Alves disse ainda que a criação da Política Nacional de Participação Social por decreto permite questionamento quanto ao princípio da legalidade. “Decreto não pode criar nem autorizar a criação de órgãos públicos, tampouco acrescentar atribuições a órgãos e entidades criados por lei”, disse.
Alves também considerou que o decreto presidencial contraria normas constitucionais que tratam da democracia participativa, as quais exigem a edição de lei pelo Congresso para disciplinar a matéria.
Autor do requerimento de urgência e do Projeto de Decreto Legislativo 1491/14, que anula os efeitos do decreto presidencial, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) parabenizou Alves pela iniciativa de zelar pelas prerrogativas do Parlamento. “Numa democracia representativa, é evidente que cabe ao Legislativo debater projetos de lei e propostas diversas, inclusive as que tratam de formas de ouvir a sociedade por meio de conselhos, comissões e outras iniciativas”, disse.
Atribuição do Legislativo
Mendonça Filho lembrou que, ao longo dos anos, o Congresso já aprovou propostas que regulamentam mecanismos de participação popular nas decisões do poder público. No entanto, ele disse não entender a decisão da presidente Dilma Rousseff de propor medidas desse tipo por meio de decreto. “Não entendo por que a presidente da República quer instituir um modelo de consulta à população passando por cima do Parlamento, que é a casa de representação popular. Para mim, isso é abuso de poder e de autoridade”, completou.
Para o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), o decreto transforma o Brasil em uma “democracia plebiscitária”. “Esse é um expediente comumente usado por governos para, em nome de um contato direto com a povo, justificar a quebra da legalidade, o atropelo das instituições e dos procedimentos estabelecidos. As lições da história não são nada animadoras”, afirmou.
Defesa
Por outro lado, o líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que o decreto não gera nenhuma crise de desrespeito ao papel do Legislativo brasileiro. Para sustentar sua opinião, Fontana citou artigo publicado na imprensa do ex-ministro da Fazenda Bresser Pereira.
"O artigo diz que a reação negativa de setores da sociedade ao decreto revela a determinação de limitar a participação social na democracia brasileira. Os liberais afirmam que o decreto implica o surgimento de um poder paralelo, mas isso é puro non-sense. A política simplesmente convoca a participação da sociedade em caráter consultivo", disse o deputado, ao ler trecho do artigo do ex-ministro, que era ligado ao PSDB.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Vexame na Bahia! Vice de Flávio Bolsonaro foge de evento com medo de flopar e inventa desculpa esfarrapada!!
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
