O Globo invoca a alma aflita de Barbosa e esquece o fantasma de Gilmar Mendes.
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838 visitas - Fonte: Tijolaço
O Globo, hoje, publica um editorial onde – invocando o último destempero de Joaquim Barbosa – quer decretar um estranho “impedimento” para a presidente Dilma Rousseff.
Diz que, se ela quiser nomear o ministro que ocupará a vaga deixada pelo renunciante – e mal-educado ao ponto de levantar-se e ir embora, sem esperar o pronunciamento dos demais membros – terá de fazê-lo com alguém “adequado”, sob pena de agravar as “distorções” apontadas por Barbosa em sua ressentida entrevista.
Para o jornal, “será muito ruim para as instituições se Dilma, permeável a pressões de alas petistas radicais em função do quadro eleitoral, fizer uma indicação inadequada ao Supremo, a última linha de defesa do estado democrático de direito”.
Procurei, inutilmente, algum questionamento do jornal quanto ao fato de Fernando Henrique Cardoso ter nomeado seu ministro-chefe da Advocacia Geral da União, Gilmar Mendes – portanto, o advogado do próprio Governo – para uma cadeira no Supremo nos últimos meses de sua gestão.
Mas o jornal se sente no direito de ficar “preocupado” com uma indicação que não foi feita, de alguém que nem ser sabe quem será – ou se será.
Os pesos e medidas de O Globo os de sempre, claro.
Nenhum governo, como o de Lula e Dilma nomeou tantos ministros do Supremo que, nas votações, foram adversários das forças políticas governistas.
Pode-se até discutir a “adequação” destas indicações em muitos casos onde – independente de julgamentos pessoais e criminais, como o do chamado mensalão – deveriam interpretar a lei em harmonia com as ideias democraticamente majoritárias que os conduziram ao Tribunal, porque isso é o legítimo, como é legítimo que na Suprema Corte americana os ministros de origem em governos do Partido Democrata levem a Corte numa direção mais liberal e os indicados nos governos do Partido Republicano tendam ao conservadorismo.
O perfil da Suprema Corte, aliás, é traçado assim no infográfico publicado, anos atrás, pelo próprio jornal, sem que houvesse qualquer menção a ameaças às instituições daquele país.
Ainda assim, o jornal “se esquece” de que os ministros de quem diz terem sido vítimas de “manobras” para influenciar no julgamento da Ação Penal 470 – Cesar Peluso e Ayres Brito – foram, ambos, indicados no governo petista de Lula.
Ficamos, portanto, curiosos quanto ao que O Globo considera uma “indicação adequada” para o Supremo Tribunal Federal.
Merval Pereira, talvez?
Afinal, ele treinou muito como jurisconsulto durante o mensalão…
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