A direita é prisioneira de seu próprio ódio
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1055 visitas - Fonte: Tijolaço
Quando parte da torcida de convidados, socialites e gente em condições de pagar um bom dinheiro pelo ingresso – e todos tinham o direito de estar lá – xingaram grosseiramente a presidenta Dilma Rousseff, um impulso incontrolável fez Aécio se solidarizar com a estupidez, para depois voltar atrás, advertido pelos marqueteiros de que “pegava mal”.
Pegou, todos sabem.
Agora, parece que essa força estranha o leva à mesma atitude.
“Governo Dilma pagará por tentar se apropriar da Copa, diz Aécio Neves“, noticia a Folha.
Claro que não é um problema pessoal do candidato tucano, de natureza uma pessoa afável, em condições normais.
Mas Aécio está, mais que nunca, incorporado pela mente coletiva da direita brasileira, que desde a UDN sente “saudades prévias” de um país formado por ilhas de elite e um oceano de excluídos.
O que se traduz, na prática, em ilhas de “modernidade” e um oceano de atraso, o que é, em si, a negação do papel a que o Brasil pode – não apenas pode mas, necessariamente deve – assumir de grande nação.
Por isso, para estas mentes é impossível entender o Brasil como um ente coletivo, que pertence a todos – indistintamente – e onde, por consequência, os desafios e as conquistas pertencem a todos.
E, claro, também as derrotas.
A Copa, para eles, só era de todos quando foram badalar a conquista de sua realização, em 2007.
Depois, quando vieram as dificuldades, os problemas, os atrasos e, sobretudo, os protestos, ela passou a ser “do Governo Dilma”.
De todos era só o time do Felipão, unanimidade nacional.
Justamente quem perdeu de 7 a 1 o jogo, numa Copa, salvo detalhes, impecavelmente bem organizada.
Ninguém hesitou em “apropriar” ao governo os atrasos e preços de obras sob a responsabilidade de governos estaduais, muitos deles sob a responsabilidade de governantes do PSDB.
Mal disfarçavam, nos discursos e nos “mercados” financeiros, sua esperança num fracasso que nos desmoralizasse como país organizado e capaz.
E desta Copa, como país, saímos assim, embora muito deprimidos – sim, esta é a palavra, e não humilhação – pela derrota inédita em campo.
E nele, e apenas nele, perdemos feio, como não podemos perder por nossas qualidades.
Por isso que a direita brasileira – sim, é ela – quem tenta, da forma mais torpe, se apropriar da frustração com um resultado de jogo de futebol para transferi-la para a política, como faz agora.
Ela não se contém, porque odeia a ideia de um Brasil só, que joga, perde e ganha junto.
Como ganhamos e perdemos, no campo, todos juntos.
E como ganhamos e perdemos na vida, na imensa vida, fora do campo.
Este ódio arrasta seus porta-vozes à insanidade de se tornarem urubus pós-Copa como foram urubus pré-Copa.
O povo brasileiro não está com ódio, está triste. Muito triste.
Quem tem ódio é uma elite que não hesita tentar se apropriar da tristeza do povo para que esqueçamos que o futuro é adiante, não para trás.
E o resultado disso, creiam, não é diferente do que teve o ”vai tomar no c…” vip do jogo de abertura.
O Brasil do povão, embora eles creiam e façam o possível para que seja o contrário, é um país civilizado.
Apesar dos sentimentos selvagens desta gente, que é incapaz de sentir por este povo até mesmo o que sente um americano, o jornalista Matthew Futterman, do Wall Street Journal, reproduzido no Diário do Centro do Mundo.
“(…)não compre a história de que esta perda vai deixar alguma cicatriz indelével em um país tentando desesperadamente prosperar em uma série de áreas que não têm nada a ver com futebol. Essa ideia é um pouco humilhante para os brasileiros, que são a coleção de almas mais acolhedoras com que eu me deparei.”
É por isso que as almas mesquinhas e odiosas, Matthew, vão perder feio na disputa pelo coração dos brasileiros.
Porque têm a natureza do escorpião e morrem de seu próprio veneno.
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