Procuradoria recomendou libertação de manifestantes há mais de uma semana
Promotor designado escrevera parecer a desembargadores apontando inconsistências nas provas apresentadas pelo Ministério Público e falhas na versão dos policiais
Compartilhe
767 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
A Procuradoria Geral de Justiça de São Paulo, seção do Ministério Público que trabalha diretamente com os desembargadores do Tribunal de Justiça, havia recomendando a revogação da prisão preventiva de Fábio Hideki Harano e Rafael Marques Lusvargh mais de uma semana antes de um juiz finalmente colocá-los em liberdade. Os jovens, detidos por 46 dias, tiveram os alvarás de soltura expedidos ontem (7).
“A prisão preventiva não se revela necessária e adequada”, escreveu o promotor de justiça designado Luis Felipe Tegon Cerqueira Leite aos desembargadores da 3ª Câmara de Direito Criminal. O promotor recomendou aos magistrados que substituíssem a detenção dos manifestantes por “medidas cautelares alternativas”, citando comparecimento mensal em juízo, proibição de ausentar-se da cidade e proibição de frequentar manifestações populares – o que a defesa dos jovens considera inconstitucional.
A recomendação foi publicada em 29 de julho, dois dias antes de que o juiz Marcelo Matias Pereira, da 10ª Vara Criminal de São Paulo, decidisse pela manutenção da prisão preventiva dos jovens. Um dos argumentos do magistrado, que considerou Hideki e Lusvargh como black blocs, foi que os réus seriam adeptos da “esquerda caviar”, ou seja, pessoas que falam mal do capitalismo, mas possuem tênis de marca e telefone celular, e se utilizam das redes sociais – vistos pelo juiz como benesses do sistema.
Ao analisar os autos, Cerqueira Leite apontou uma série de inconsistências no trabalho da polícia. A primeira delas diz respeito ao suposto coquetel molotov que teria sido encontrado com Lusvargh, na realidade, uma “garrafa de iogurte com forte odor de gasolina” que a perícia determinou não ser artefato explosivo ou inflamável. O promotor designado percebeu que o policial responsável pela abordagem não faz qualquer menção a apreensão do objeto em depoimento. E determinou que seria necessário esperar o resultado do laudo.
Cerqueira Leite também notou nos autos que os policiais não apontaram “nenhum ato concreto de destruição ao patrimônio público ou privado”. E percebeu uma incoerência entre os documentos enviados à Justiça e a versão de que Lusvargh estaria depredando uma banca de jornais no momento da prisão. “Embora tenha sido mencionado em juízo de primeiro grau, o fato não foi relatado pelo delegado nem pelos policiais cujos depoimentos estavam legíveis nos autos”, escreveu, lembrando que o vídeo não mostra nenhum objeto em seu poder.
O promotor também encontrou falhas nas acusações por associação criminosa, imputação que pesa sobre Hideki e Lusvargh. De acordo com a polícia e os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os dois estavam associados com o fim específico de cometer crimes. “Lembre-se que esta precisa ser composta por, no mínimo, três pessoas, não sendo possível presumir-se a vinculação subjetiva das demais pessoas presentes à manifestação”, ponderou.
Para Cerqueira Leite, “as pessoas comparecem às manifestações pelos mais diversos motivos e, algumas delas, no seu curso, acabam aderindo às condutas de destruição do patrimônio público e privado”. Por isso, continua o promotor designado, seria “difícil” utilizar como evidência as insinuações da polícia e do Ministério Público. “A prova da prévia associação (entre manifestantes com o propósito de cometer crimes) demanda investigação mais sofisticada”, escreveu, recomendando "maior aprofundamento da prova."
Depois de apontar debilidades nas acusações de porte de explosivos e associação criminosa, Cerqueira Leite lembrou que as demais denúncias (incitação ao crime, resistência e desobediência) acarretariam penas máximas baixas em caso de condenação, o que tampouco justificaria a manutenção da prisão preventiva.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
