No ano, Dilma apanhou 16 vezes mais que Aécio no 'Jornal Nacional'
Segundo observatório da UERJ, cobertura da mídia tradicional é mais 'dura' com partido da presidenta do que com PSDB. Nos jornais, governo Alckmin tem 43 chamadas negativas e governo federal, 417
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612 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
O tempo que o Jornal Nacional se dedicou a bater na presidenta Dilma Rousseff é 27 vezes maior que o dedicado ao candidato tucano Aécio Neves. O cálculo é da equipe do Manchetômetro, observatório de manchetes dos meios de comunicação do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A base de dados cobre todo o ano de 2014, no qual é contado o tempo das notícias nas categorias favorável, contrário e neutro para candidatos, partidos, esfera de governo, enquadramento da política e da economia.
Até a edição de sábado (9), o JN da Globo dedicou 82 minutos e 26 segundos com notícias contrárias à presidenta. Já a Aécio, apenas 5 minutos e 35 segundos. Em compensação, foram 7 minutos e 42 segundos de notícias favoráveis ao tucano e 3 minutos e 35 segundos a Dilma. No mesmo período, o candidato Eduardo Campos (PSB) apareceu por 34 minutos e 47 segundos em noticiário neutro.
O partido da presidenta (PT) também é o que mais apanha no mesmo período: 204 minutos e 31 segundos. O PSDB esteve em meio a notícias desfavoráveis por 78 minutos e 51 segundos.
A cobertura de instituições políticas, agências, empresas e políticas públicas, além de personalidades políticas brasileiras, é predominantemente negativo. O acompanhamento mostra que o noticioso gastou nove horas, 12 minutos e 36 segundos com coberturas contrárias ao governo federal, além de 929 minutos e 1 segundo com reportagens negativas na área de política e 182 minutos e 19 segundos no setor de economia.
Para o coordenador do Manchetômetro, João Feres Júnior, a contagem mostra que Dilma e seu partido ganham disparadamente mais tempo de notícias negativas do que seu principal concorrente. "Além disso, o tempo maior de notícias desfavoráveis em economia e política tem o objetivo de criar um clima de crise. Notícias boas, como a inflação zero no mês de julho, não foi noticiada", diz.
De acordo com Feres Júnior, ao enquadrar a economia e a política negativamente, o veículo tenta influenciar a opinião pública. "Diante de um quadro tão negativo, as pessoas sem senso crítico são levadas a acreditar na necessidade de uma mudança urgente, no caso, trocar o que não está dando certo."
Viés brutal
A maior exposição da petista em noticiário desfavorável não tem relação direta com o fato de ocupar o cargo mais importante do país e por isso estar sob os holofotes da mídia por mais tempo.
Para o coordenador, esse "viés brutal" não se aplica ao candidato à reeleição ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). "O acompanhamento dos principais jornais no estado, por período equivalente, mostra 417 manchetes de capa desfavoráveis a Dilma e apenas 43 contrárias ao governo estadual paulista. É uma proporção de 10 pra 1".
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