Kennedy: PSDB deve apoiar Marina em eventuais 2º turno e governo
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Jornalista afirma que "PT e PSDB ensaiam uma desconstrução da virtual candidata do PSB ao Palácio do Planalto"; segundo ele, "se Marina for para o segundo turno, o PSDB deverá apoiá-la contra a presidente Dilma Rousseff (PT)"; e se a ex-senadora vencer a disputa, "os tucanos tendem a hipotecar apoio a ela no Congresso", avalia Kennedy Alencar
Os tucanos devem apoiar a provável candidata do PSB à presidência, Marina Silva, em um eventual segundo turno e caso ela vença as eleições. A análise é do jornalista Kennedy Alencar. Ele resgata declaração do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que em novembro passado, afirmou que não seria uma "tragédia" se o PSB, então com Eduardo Campos, tomasse o lugar do PSDB na polarização com o PT. Leia abaixo artigo publicado em seu blog:
PSDB deve apoiar Marina em eventuais 2º turno e governo
KENNEDY ALENCAR
Brasília
Com maior tempo de TV e rádio e com máquinas partidárias mais robustas, PT e PSDB ensaiam uma desconstrução da virtual candidata do PSB ao Palácio do Planalto, Marina Silva. Será uma missão dura.
Se Marina for para o segundo turno, o PSDB deverá apoiá-la contra a presidente Dilma Rousseff (PT), que, de acordo com as pesquisas atuais, parece ter assegurada uma das duas vagas. Se Marina vencer a disputa, os tucanos tendem a hipotecar apoio a ela no Congresso.
Em novembro passado, numa entrevista ao blog, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comentou a possibilidade de o PSB, então ancorado no projeto presidencial de Eduardo Campos, tomar o lugar do PSDB na polarização com o PT. Eis a resposta: "Não acredito nessa possibilidade, mas, se ela ocorrer, não será nenhuma tragédia".
Na época, o tucano priorizava a saída de Dilma da Presidência. "O que eu acho é que temos de ter alternância de poder. O PT está há muito tempo no poder", disse FHC. E emendou: "[Eduardo Campos] tem de se encorpar. Se ele não encorpar, não teremos segundo turno".
Enquanto foi candidato, Campos não conseguiu crescer a ponto de garantir uma segunda etapa. A pesquisa Datafolha desta segunda-feira mostra que Marina aumenta consideravelmente a chance de haver segundo turno.
No domingo, durante o velório de Campos, já se ouvia aliados de Aécio vaticinando que Marina subiria no Datafolha por causa da comoção e que o tucano voltaria a liderar a oposição ao se vender como "mudança com segurança".
Petistas avaliavam que o imenso tempo de TV e rádio de Dilma na propaganda política que começará nesta terça permitiria ao partido melhorar a avaliação do governo federal e, por consequência, a intenção de voto da candidata. O sentimento mundancista de mais de dois terços do eleitorado pode ser fatal para a petista num confronto com Marina.
Há obstáculos evidentes para Marina. As contradições do PSB que existiam com Eduardo Campos continuam aí com ela. São reais as resistências do agronegócio e de empresários de infraestrutura, mas esses setores não decidem a eleição.
Falar em nova política aliada a representantes da velha política é contraditório. No entanto, apesar de ser uma política com experiência tradicional, porque foi ministra e senadora, ela transmite a imagem de antipolítica. Marina atende aos anseios de uma parcela que participou das manifestações de junho e julho. Tem maior apoio espontâneo nas redes sociais do que Dilma e Aécio.
Se as próximas pesquisas mantiverem Marina à frente de Aécio, poderá haver uma onda de voto útil para atender ao desejo que FHC manifestou em novembro. Os tucanos poderão ceder apoio político na segunda etapa e fornecer quadros para um eventual mandato.
Rumo ao PSB, haverá uma romaria daqueles políticos dispostos a apoiar qualquer governo. Um inchaço da legenda socialista seria provável, enquanto Marina criaria a Rede para continuar a entoar, digamos assim, a bandeira de maior pureza política.
Será um erro PT e PSDB subestimarem Marina Silva, apostando na vantagem que terão no horário eleitoral gratuito.
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