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22/8/2014 02:20

Editor da Veja.com pede para blogueiro retirar do ar texto sobre tortura sofrida por Míriam Leitão

Editor da Veja.com pede para blogueiro retirar do ar texto sobre tortura sofrida por Míriam Leitão
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493 visitas - Fonte: Portal Comunique-se

"A jornalista Míriam Leitão decidiu revelar as supostas (aprendi com os jornalistas a usar o termo quando não há provas) torturas que teria sofrido durante o regime militar", assim começava o texto assinado pelo blogueiro Rodrigo Constantino e publicado às 14h52 da tarde dessa quarta-feira, 20, na página mantida pela Veja.com. Em seu post, o "liberal sem medo de polêmica" perguntava se a colunista iria pedir desculpas por ter sido "uma comunista, do PCdoB, entoando hinos marxistas" durante o início da ditadura militar brasileira.



Constantino, que neste mês completou um ano como blogueiro da Veja.com, argumentou que, apesar de lutar contra a ditadura, Míriam "não era uma heroína. Não era uma jovem democrata que defendia a liberdade". O post repercutiu rapidamente, chegando a ter mais 12 comentários na página após pouco mais de uma hora no ar (11 elogiosos à postura do blogueiro). Ao divulgar a análise em seu perfil no Facebook, o economista viu a mensagem ser compartilhada por mais de 100 internautas. O texto, entretanto, também foi alvo de críticas nas redes sociais.



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Além de ser criticado por internautas e colegas da imprensa, o post do economista não pegou bem dentro da Editora Abril. Na manhã desta quinta, 21, quem entrou no blog de Constantino viu que o texto intitulado "Míriam Leitão fala da tortura que sofreu na ditadura e quer pedido de desculpas.Legítimo, mas e o seu pedido de desculpas?" sumiu. O internauta que tentou acessar o link direto recebeu a mensagem de que "a página que você tentou acessar não existe ou foi movida". De fato, o texto foi removido do domínio da Veja.com a pedido de um editor, revelou o próprio autor.



"A pedido do editor da Veja.com, retirei do ar. Ele apresentou seus argumentos, eu concordei em parte, e achei melhor retirar. Poderia causar a impressão em alguns de que eram coisas equivalentes a tortura que ela sofreu e o comunismo que ela pregava, ambos tendo de pedir desculpas. Ainda acho que ela deveria fazer um reconhecimento público de que não lutava por democracia e não era uma heroína, mas faço isso em outra ocasião...", escreveu Constantino em sua página no Facebook. O "liberal sem medo de polêmica" não divulgou, porém, o nome do editor que teria pedido para o post ser excluído.



O texto de Constantino foi publicado pela versão online da Veja horas depois de Míriam relatar, a pedido do jornalista Luiz Cláudio Cunha, como foi o período em que foi presa por ditadores. O ano era 1972. E a então jovem repórter, com 19 anos, foi detida e torturada por militares, mesmo estando grávida. No relato, informações de que sofreu ameaças de abuso sexual e que foi mantida nua, em uma sala escura, com uma jiboia. "Não era possível nem chorar, poderia atrair a cobra. Passei o resto da vida lembrando dessa sala de um quartel do Exército brasileiro".



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