'Melhor e Mais Justo' debate a força do salário mínimo
Para economistas, setores que condenam a política de valorização do salário mínimo não têm coragem nem argumentos para expor seus reais objetivos ao público
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548 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
A política de valorização do salário mínimo é uma experiência democrática inédita no Brasil. O economista Claudio Dedecca, professor da Unicamp, observa que em 2015 o mínimo completará 75 anos de existência e que apenas nos sete últimos anos contou com uma política de valorização estável, consistente, definida e garantida em acordo. A política a que se refere – durante debate do programa Melhor e Mais Justo, da TVT – se consolidou por meio de negociações entre governo federal e centrais sindicais. Incorpora a variação do PIB de um ano e a inflação do ano seguinte. Assim, o salário mínimo de 2015 será reajustado em 2,5% (PIB de 2013) mais a variação do IPCA em 2014. O acordo foi estabelecido em 2007, mas sua validade vai somente até o próximo ano.
Essa circunstância tem levado alguns jornais e economistas identificados com o mercado financeiro a defender, discretamente, o fim dos aumentos reais. Alegam que o salário mínimo custa caro para a Previdência Social e as contas públicas e que aumento real sem aumento correspondente de produtividade é insustentável.
No debate, o economista Airton Santos, coordenador técnico do Dieese, discorda: “Temos de ir em frente porque os setores da sociedade ligados ao empresariado dizem que o salário mínimo está acima da produtividade média do país e isso tira a competitividade da indústria ”. E rebate: “Salário é renda, renda é consumo e o mercado interno precisa de consumo e de renda”.
Diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Ademir Wiederkehr lembra que a valorização do mínimo compõe, junto com os sucessivos aumentos reais que vêm sendo alcançado pelos demais trabalhadores, um estímulo ao crescimento. “Passamos a década de 90 não conseguindo nem repor a inflação. Todas as categorias perderam muito naquele período”, compara. E assinala que se houve aumento de gastos para a Previdência, é preciso incluir na conta o quanto o salário mínimo e o aumento de emprego e da renda ajudaram a financiar as contas públicas, mantendo o consumo e a economia aquecidos.
Para Dedecca, a crítica política ao salário mínimo é violenta, não apresenta números e tem natureza ideológica. “Acoberta interesses conservadores que são contra movimentos distributivos de renda e direitos. É difícil haver uma discussão em que os críticos do mínimo venham a público defender aquilo que consideram errado. Quando se convida não aparecem, porque é antipopular e porque não há argumentos consistentes.”
O programa Melhor e Mais Justo discute toda semana com especialistas e convidados temas contemporâneos que terão impacto no futuro do país. Todas as quintas-feiras, às 19h30, na TVT. E pode ser visto também pela internet.
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