A política externa e a nova partilha do mundo
Os críticos da política externa brasileira insistem em embarcar na canoa dos países ricos – uma canoa furada – sem reconhecer, contudo, os acertos dos não ricos em abrir novos caminhos
Compartilhe
805 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
Com 7,2 bilhões de habitantes e mais de 200 países, o planeta Terra contabiliza Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 75 trilhões. Se repartido equivalentemente, cada habitante receberia US$ 10,5 mil em 2013 (R$ 23,6 mil). Infelizmente, a repartição da renda no mundo não é bem assim. Como diria G. Shaw: “A estatística é uma ciência que demonstra que se meu vizinho tem dois carros e eu nenhum, nós dois temos um, em média”.
Atualmente, o PIB global encontra-se repartido em quatro grandes blocos de países. De um lado, as economias ricas que se associam à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), operando em dois grandes blocos distintos de economias. Um na América do Norte, outro sob o comando da União Europeia. De outro lado, a parte restante dos países fica com 49% do PIB, dividindo-se também em dois grandes blocos de economias. O primeiro atende pelo nome de Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o segundo bloco compreende os demais países restantes.
De tudo isso, interessa destacar o Brics por se caracterizar por ser mais dinâmico e se diferenciar da subordinação e dependência associada à dinâmica das economias ricas. Em 1990, por exemplo, a União Europeia respondia por 31,9% do PIB global, os Estados Unidos tinham 30,6%, os Brics, 7,9% e os demais países, 29,7%. Na comparação entre os anos de 1990 e 2013, os países ricos (OCDE) reduziram a sua participação relativa no PIB global de 62,5% para 51%. Nesse período de tempo, o Brics teve o peso relativo no PIB global crescido de 7,9% para 21,2%.
Projetada para a próxima década a mesma trajetória, os Brics poderão alcançar cerca de um terço do PIB global, restando próximo de um quinto cada para Estados Unidos e União Europeia no produto mundial. Dentro dessa nova partilha do mundo, se pode reconhecer o reposicionamento do Brasil. Até o início da década de 2000, a economia nacional estava fortemente associada à dinâmica do bloco dos países ricos. Nos últimos anos, três ações governamentais contribuíram para apontar o caminho próprio do Brasil, graças a uma opção pelo desenvolvimento de uma “política externa ativa e altiva”, como destaca o embaixador Celso Amorim – ministro de Relações Exteriores durante os governos de Itamar Franco (1993-1995) e de Lula (2003-2010), hoje ministro da Defesa.
A universalização da diplomacia com enfoque nas relações Sul-Sul do mundo impulsionou o comércio com países não ricos. Somente com a China, as exportações passaram de US$ 1 bilhão para US$ 46 bilhões, enquanto em relação ao mundo as vendas externas brasileiras subiram de US$ 60 bilhões em 2002 para US$ 242 bilhões em 2013. Além disso, o perdão da dívida externa em países pobres criou saldo comercial, assim como a abertura de novas embaixadas e consulados e a maior cooperação do país por meio de instituições públicas.
A segunda ação governamental direcionou-se à internacionalização do setor privado brasileiro. Por meio de estímulos do BNDES, várias empresas tornaram-se capazes de elevar a exportação. Por fim, a terceira ação foi voltada ao fortalecimento do sistema de defesa – o país tem a segunda maior fronteira seca do mundo e a maior costa marítima no Oceano Atlântico. Agrega-se, ainda, a descoberta de enormes reservas de petróleo na camada do pré-sal.
A constituição de estratégia para o sistema de defesa nacional vem se sustentando por meio de diversos acordos de aquisição tecnológica nos campos da aviação supersônica, submarino de propulsão nuclear, modernos equipamentos antiaéreos e eletrônicos. É a recomposição do complexo industrial de defesa.
Diante disso, se pode perceber a natureza das críticas da oposição à política externa do governo da presidenta Dilma Rousseff. Possivelmente, desejam avidamente embarcar na canoa dos países ricos sem reconhecer, contudo, a nova repartição do mundo. Uma canoa furada.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
