Haddad prepara projeto para enterrar fiação elétrica de São Paulo
Compartilhe
899 visitas - Fonte: IG
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), prepara um projeto para enterrar a fiação pública e recuperar as calçadas de diversos bairros e avenidas da cidade. O projeto foi pauta de uma reunião com construtoras e do último encontro do conselho político da prefeitura, na quinta-feira passada. Pelo impacto visual, a ideia é tratada na administração como uma "Cidade Limpa" do novo prefeito, em referência à lei que retirou os outdoors da capital paulista e virou marca da gestão do antecessor Gilberto Kassab (PSD).
O custo, o mapa de implantação e os detalhes técnicos ainda precisam ser definidos. Segundo estimativas preliminares apresentadas na reunião do conselho, executar esse trabalho nas principais áreas da cidade custaria algo em torno de R$ 15 bilhões. Cada metro de fiação enterrada sairia por aproximadamente R$ 5,5 mil. O prefeito disse aos auxiliares que a ideia é analisar alternativas para viabilizar o projeto, de modo que a iniciativa privada divida o custo das obras, afirma uma fonte que participou do encontro.
A prefeitura cogita Parcerias Público-privadas (PPPs). "Nesse caso, o ideal seria um 'aluguel de ativos', no qual as construtoras arcariam com a obra e depois alugariam as galerias subterrâneas, por tempo determinado, para as concessionárias, como Eletropaulo, Sabesp, Comgás e empresas de telefonia", diz Carlos Zveibil Neto, vice-presidente da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), uma das entidades consultadas pela prefeitura.
Ou seja, nesse formato, as empresas que usariam as galerias pagariam a maior parte do projeto. A prefeitura arcaria com outra parcela. E não está descartado um aumento de IPTU em áreas contempladas. Nesse caso, a administração poderia fazer consultas populares, para avaliar o interesse dos moradores de uma determinada rua na obra.
Na reunião com as empreiteiras, Haddad disse que tinha interesse em "fazer uma parceria para resolver os problemas dos fios e das calçadas", de acordo com pessoas presentes no encontro. A ideia teria sido bem aceita pelos representantes da iniciativa privada.
O prefeito ouviu que as obras poderiam ser executadas com métodos chamados "não destrutivos", que usam perfurações parecidas com as feitas nos metrôs, nas quais uma máquina entra no subsolo e perfura o trajeto, sem necessidade de se quebrar toda a calçada. A técnica já é empregada em São Paulo para empresas de água, esgoto e telefonia, segundo especialistas do setor.
Haddad chegou a sugerir que o método poderia ser o "destrutivo", já que a ideia é aproveitar as obras para reformar as calçadas. Mas foi informado de que seria melhor usar o tipo não destrutivo e fazer a recuperação dos pavimentos em paralelo, o que seria mais barato.
O mapa de implantação não está definido, mas a prefeitura planeja começar por avenidas e bairros mais adensados, segundo fontes ouvidas pela reportagem. "Teria que iniciar pelas grandes avenidas e lugares onde a fiação está mais carregada, com maiores riscos para o cidadão", opina Zveibil Neto.
"Não é só visual"
"Um dos elementos mais feios e desengonçados da paisagem urbana de São Paulo seria eliminado, com grande ganho para a beleza da paisagem urbana e a qualidade de vida da população", afirma o Bruno Padovano, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
Mas, para o especialista, o impacto do projeto não seria somente visual. "A fiação enterrada aumenta a segurança do cidadão, seja um transeunte ou um motorista, já que acidentes com postes de rua são frequentes e muitas vezes fatais, ou mesmo de uma criança empinando pipa ou alguém fazendo um 'gato' e sendo eletrocutado no processo", diz Padovano.
"As telecomunicações seriam melharadas e a distribuição de energia seria mais protegida de chuva e queda de árvores", explica o professor.
Nos últimos anos, projetos pontuais para enterrar a fiação de vias públicas foram executados em São Paulo. Num deles, ruas comerciais da cidade, como a Oscar Freire (fotos acima) e a Avanhandava, ganharam fiação subterrânea e uma repaginada no mobiliário. A iniciativa privada bancou parte dos custos. Em 2012, a Avenida Faria Lima também teve 1,5 km de extensão restaurados, entre as avenidas Rebouças e Cidade Jardim.
"Muitas cidades de países desenvolvidos resolveram há tempos esses problemas, especialmente na Europa, mas há casos como as bem-cuidadas Vancouver (Canadá) e Portland (EUA), além de cidades chinesas como Beijing e Xangai, que vêm adotando políticas urbanas parecidas com a da Cidade Limpa, o que inclui não apenas o controle da comunicação visual comercial nos espaços públicos mas especialmente a remoção da fiação aérea", diz Padovano.
A Prefeitura de São Paulo foi procurada, por telefonemas e email, para se pronunciar oficialmente a respeito do projeto, mas não respondeu até o fechamento da reportagem.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
