“Vocalizador” de Marina quer elevar meta de inflação. É a confirmação do “tarifaço”
Compartilhe
979 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
Hoje, a Folha revela que o economista Alexandre Rands, um dos integrantes da turma de “vocalizadores” que Marina mandou conversar com a nata do setor financeiro, reunida pela Merryl Lynch-Bank of America, prometeu ali elevar a “meta de inflação” - um dos integrantes do sacro “tripé macroeconômico” – caso a candidata convertida ao mercado chegue ao governo.
O episódio lembra-me a história que ouvi certa vez e jamais me saiu da cabeça. Depois de um prolongado cerco, um rei resolveu entregar sua cidadela. Foi, com uma pequena embaixada, negociar pessoalmente com o chefe do exército que o ameaçava, junto aos muros da cidade. E, antes de qualquer coisa, pediu-lhe que as conversações fossem em grego, conhecido apenas pelos “cultos” e não em aramaico, língua do povo que se espremia na amurada para ver e ouvir o que se dizia.
Elevar a meta de inflação é uma espécie de “porteira aberta” para um choque tarifário, porque libera os efeitos da elevação dos preços administrados: gasolina, energia, planos de saúde, água e escoto, gás de cozinha, tarifas em geral e uma série de outros…
São 23 itens, no total, que representam um peso de quase 25% no cálculo total da inflação pelo IPCA.
Claro que há necessidade de fazer, de forma controlada e gradual, permanetes reajustamentos nestes preços.
O que é totalmente diferente de dar um “choque de preços”, em nome da “liberdade de mercado”.
É o que, já há alguns dias, Luís Nassif nos advertia sobre as declarações de outro “guru” marinista, Eduardo Giannetti.
Isso, é obvio, aumenta a inflação e é por isso que, para “dar credibilidade”, como diz Rands, a meta seria elevada. E para evitar que ela também “estourasse”, claro, seria necessário ”nivelar” os dois outros suportes do “tripé”.
Juros para cima, porque com inflação mais alta necessário elevá-los para duas coisas: manter o nível real de remuneração do capital e “segurar” a inflação via redução do crédito.
Dólar para o alto, também, porque isso também contribuiria para frear o consumo, os gastos no exterior, melhorar a balança comercial e, sobretudo, tornar mais baratos e atraentes para o capital internacional os ativos no Brasil.
A comparação feita pela matéria da Folha, mencionando o fato de, no primeiro ano do governo Lula, ter sido elevada a meta de inflação é totalmente esdrúxula: ali a “meta” foi ajustada à realidade de desvalorização cambial (53%) e à taxa de inflação (12,53%) já registradas no final do governo FHC, durante o ano de 2002.
Não é absolutamente comparável, pois a inflação tinha sido mais que o dobro do teto fixado então (de 5,5%), enquanto hoje, mesmo se considerarmos o acumulado em 12 meses, a desvalorização está 0,01% (isso mesmo, um centésimo de ponto percentual) acima do teto.
Basta alguém olhar o gráfico das metas e do comportamento da inflação ao longo dos anos que verá, mesmo sem conhecimento mais profundo de economia, que se trata de duas situações totalmente diferentes. E a expectativa da inflação futura, em vermelho, não é a do governo, mas a do próprio setor financeiro, através do Boletim Focus.
O que os “vocalizadores” de Marina anunciam, pura e simplesmente, um conjunto de medidas que, como aquela rendição do rei, não pode ser dito na língua do povo: um “tarifaço”, o aumento dos juros e a elevação do dólar.
Esta aí porque esta gente parece falar grego.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
