Gales e Irlanda do Norte pressionam por 'mesmos direitos' da Escócia após referendo
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511 visitas - Fonte: Rede Brasil Atual
Após o plebiscito escocês, que decidiu pela manutenção da Escócia como parte do Reino Unido por 55% dos votos, contra 45% de independentistas, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, se comprometeu a aumentar os poderes da Escócia, tal como prometido na campanha. Isso abriu a brecha para que outras nações do país reivindiquem, no mínimo, os mesmos direitos que serão outorgados aos escoceses.
Em discurso logo após a divulgação do resultado na manhã de ontem, Cameron assegurou que as ações para a Escócia serão acompanhadas de uma revisão da situação no País de Gales e na Irlanda do Norte. Mas, ressaltou: “É preciso também ouvir a voz da Inglaterra”.
Um ponto que poderá ser revisto é a chamada questão de West Lothian, que leva o nome da circunscrição do deputado Tam Dalyell, que a formulou em 1977. A controvérsia passa pelo fato de que os representantes de Irlanda do Norte, Gales e Escócia têm papel decisivo nas questões relativas à Inglaterra, mas não possuem a mesma autonomia com relação às nações que representam.
“Da mesma maneira que a Escócia votará no Parlamento escocês sobre assuntos fiscais, gastos e políticas sociais, também Inglaterra, assim como Gales e Irlanda do Norte, deveriam votar sobre estas matérias”, ressaltou o primeiro-ministro, que acrescentou que isso “deverá ocorrer em paralelo e ao mesmo ritmo que a aplicação do acordado com a Escócia”.
Gales
Para além das promessas de Cameron, o líder do Partido de Gales (Plaid Cymru), Leanne Wood, disse, em entrevista à agência Russia Today, que agora o País de Gales precisa garantir que as demandas e necessidades específicas que apresentam também serão ouvidas.
Wood afirmou ser cético sobre se as promessas feitas à Escócia serão realmente cumpridas. “O que eu diria é que, no mínimo possível, o que é oferecido para a Escócia tem de estar disponível para o País de Gales também. Há um risco muito real de termos a segunda ou terceira classe de descentralização aqui no País de Gales, enquanto uma descentralização de primeira classe está sendo oferecida para a Escócia. E essa situação não é aceitável – precisamos de uma primeira classe de descentralização aqui também”.
De acordo com o político, as pesquisas de opinião indicam que a população aspira por mais descentralização e é um “excelente momento para garantir que Gales deixe de ser a nação espectadora, como fomos ao longo desta campanha, e que asseguremos que nossas necessidades e demandas estejam no centro deste debate”.
Irlanda do Norte
O primeiro-ministro da Irlanda do Norte, Peter Robinson, também defendeu mais direitos. Ele declarou que as discussões devem ser tomadas a partir de agora por todo o Reino Unido, não por um subcomitê de gabinete ministerial.
Políticos da Irlanda do Norte pretendem manter a fórmula atual de cálculo para definir o gasto público no Reino Unido e diminuir os impostos para as empresas. Além disso, eles defendem a transferência total dos poderes fiscais de Londres para a Irlanda do Norte.
“Há acordo sobre uma série de questões. Todas as partes concordam que nós devemos ter o poder de definir nossos níveis de impostos sociais. Nós também pediremos ao governo britânico que transfira todos os poderes fiscais para a Assembleia”, afirmou Robinson.
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