Lula, de novo, em 2018?
Compartilhe
2452 visitas - Fonte: Brasil 247
Ex-presidente já se coloca como candidato a candidato na sucessão da presidente Dilma Rousseff. “Só o que eu não posso dizer é que não”, diz ele, sobre concorrer em 2018. À sua maneira, ele deixa claro que vai esperar o momento certo para assumir formalmente o que já está assumido politicamente: "A gente tem de saber o seguinte: a gente faz política, e dependendo do que irá acontecer nesses próximos quatro anos, a gente vai tomar decisão na hora que tiver de tomar a decisão"
O ex-presidente Lula está a um passo do paraíso político. No domingo 26, uma vez confirmadas as pesquisas que apontam a vitória da presidente Dilma Rousseff, do PT, sobre o senador Aécio Neves, do PSDB, ele será o primeiro e único na fila de candidatos do partido às eleições de 2018.
O próprio Lula já fala com desenvoltura sobre o tema, deixando claro que não pode recusar a possibilidade de vir a ser o nome do partido para suceder Dilma:
- A única coisa que eu não posso dizer é que não, respondeu Lula, nesta semana, em entrevista ao radialista Geraldo Freire, da rádio Jornal Jornal, do Recife.
O ex-presidente justificou sua posição:
- Eu não sei qual vai ser a circunstância política de 2018.
Isso significa que o ex-presidente já se assume como candidato a candidato. Da condição de ‘Pelé no banco de reservas’, ele agora já está no aquecimento para entrar em campo na hora exata de concorrer à próxima eleição;
- Estou completando 69 anos de idade. Em 2018, terei 72. É preciso levar isso em conta, contabiliza o ex-presidente.
ANIMAL POLÍTICO - À sua maneira, ele deixa claro que vai esperar o momento certo para assumir formalmente o que já está assumido politicamente:
- A gente tem de saber o seguinte: a gente faz política, e dependendo do que irá acontecer nesses próximos quatro anos, a gente vai tomar decisão na hora que tiver de tomar a decisão, cravou.
O ex-presidente quer mais atores políticos na cena:
- Eu tenho fé em Deus que o Brasil vai produzir quadros mais novos, jovens, pessoas com velocidade, com mais garra, pessoas mais comprometidas, completa, com modéstia.
O que fica, mesmo, é que Lula é sim candidato a candidato em 2018. E ele não está sozinho, bem ao contrário. O primeiro a instalar o nome de Lula como candidato do PT à Presidência, na sucessão de Dilma, foi o presidente da legenda, Rui Falcão:
- O eleitor vai ver os resultados (de um eventual segundo governo Dilma) e, certamente, se o presidente Lula for o nosso candidato, vai ficar muito feliz.
Em seguida, foi a vez de Dilma apoiar o nome de Lula para a sua sucessão:
- Isso foi dito pelo Rui Falcão (a possibilidade de Lula vir a ser candidato). Ele não me disse isso, mas se depender de mim, pode ter certeza que eu ajudo, clareou Dilma.
A presidente e o ex passaram os últimos quatro anos sobre a mira da mídia tradicional. Uma pauta permanente foi a apuração de possíveis divergências entre eles. A cada rumor, no entanto, ora Dilma, ora Lula, saiam a campo para desmentidos.
Houve, de fato, um período de maior afastamento entre a presidente e o ex. Ocorreu entre outubro do ano passado e março deste ano. No final do ano passado, em meio a baixas nos indicadores econômicos e ironias na mídia internacional contra o ministro Guido Mantega, da Fazenda, o ex-presidente chegou a dizer a amigos que uma troca cairia bem para Dilma. Daria, segundo ele, uma ‘sacudida’ no governo. Mesmo sem jamais ter tido grandes confidentes, em algumas conversas Lula citou o nome do empresário Josué Gomes da Silva como o mais adequado para assumir o posto e dar novo pique para a política econômica. O recado chegou a Dilma, que, como se sabe, manteve Mantega contra todas as pressões. Houve, a partir daí, um retraimento de Lula. O ex-presidente assumiu uma posição de neutralidade sobre a gestão do governo Dilma.
Neste tempo e espaço políticos, surgiu o hoje famoso, sempre anônimo e que terminou sendo o frustrado movimento ‘volta, Lula’. Em diferentes encontros informais do ex-presidente com empresários, uma menção ao assunto, da parte dos interlocutores dele, era quase obrigatória, mesmo feita em tom de brincadeira ou mais seriamente. A ideia era testar a reação de Lula até o limite do conveniente.
VOLTA QUE NÃO EMPLACOU - Num desses momentos, no auge do burburinho sem fontes, Lula cedeu, abrindo uma janela para a possibilidade de concorrer no lugar da presidente. A frase atribuída a ele, em março deste ano, em quase todas as colunas políticas, até agora não foi desmentida:
- Estou pronto, só não posso magoar a Dilma.
Lula tem radares sobre todas as mídias. Ele é municiado a respeito dos principais fatos, notadamente os que envolvem seu nome, muitas vezes ao dia. O ex-presidente, assim, não deixa passar sem desmentidos nada que, atribuído a ele, ele próprio considere impreciso ou inverídico. Mas aquela passou.
A marolinha do ‘volta, Lula’, para ter se tornado uma onda verdadeira, precisaria ter sido adensada por dirigentes do partido. E isso nunca aconteceu. Em sua maneira de levar, dentro do PT, os preparativos para a convenção nacional que indicou Dilma à reeleição, o presidente Rui Falcão promoveu uma série de encontros nacionais numerosos para afirmar, confirmar e reconfirmar o nome da presidente como o único existente. Lula, mais de uma vez, declarou com todas as letras que a vez era mesmo dela.
Enquanto isso, Dilma corria nas pesquisas de opinião na faixa dos 40% de intenção, sempre à frente de Aécio Neves e do então pré-candidato do PSB, Eduardo Campos. Sem abrir qualquer margem para a discussão de seu nome, a presidente manteve a primazia, levada até a vitória em primeiro turno e para o teste decisivo do domingo 26.
CHEFIA DA OPOSIÇÃO - Caso as projeções das pesquisas não se confirmem – o que seria uma grande surpresa em razão das tendências aferidas de crescimento da presidente e perda de pontos para o senador -, ainda assim Lula terá um futuro operoso pela frente. Ele chefiará a oposição. Uma de suas missões, nesse caso, será garantir as eleições de 2018. Aécio, afinal, declarou-se contrário à reeleição e defendeu um mandato de cinco anos para o cargo. Isso levaria o pleito para 2019. Com mais um ano de mandato sobre os cinco pretendidos, a depender de negociações no Congresso, a nova disputa iria para 2020.
A dar a lógica, com Dilma vitoriosa, Lula pretende se colocar em campo para a convocação de uma assembleia constituinte exclusiva. Ele defende a eleição de um grupo único para fazer uma reforma política. E já deixa claro que os participantes desse grupo, em seu modelo, não poderão ser candidatos em seguida ao parlamento.
- Temos de acabar com essa bagunça de 28 partidos. Não dá mais para continuar assim, precisamos de uma reforma política urgente, tem manifestado o ex-presidente.
Ele também já anuncia que quer estar muito próximo da presidente Dilma na gestão do governo.
Nesta reta final de campanha, Lula foi o responsável pela linha geral da campanha, de comparação entre os resultados das gestões petistas frente aos alcançados pelos governos do PSDB. A partir desse posicionamento, a candidatura de Dilma passou a crescer sobre a de Aécio, o que não ocorrera, com clareza, até então. Além disso, Lula subiu nos palanques, deu seus motes engraçados para o público, como ao chamar o adversário de “filhinho de papai” e jogou todo o seu carisma na transferência de votos para Dilma. Na noite deste domingo, o ex-presidente não tem dúvidas de que irá colher exatamente o que plantou – uma presidente reeleita com um candidato de continuidade já posicionado, o velho e bom Luiz Ignácio Lula da Silva.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Vexame na Bahia! Vice de Flávio Bolsonaro foge de evento com medo de flopar e inventa desculpa esfarrapada!!
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
