WHATSAPP, O DELATOR
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8085 visitas - Fonte: BIA WILLCOX
O universo das pessoas hoje cabe na palma da mão. Não é metáfora e nem eu estou de brincadeira. Falo sério.
Sabe o whatsapp? Ele se tornou o habitat natural de uma enorme fatia da sociedade contemporânea. Pelo menos 600 milhões de pessoas no mundo passam um tempo (às vezes grande) nele. Por que?
Os motivos são vários: não pagamos para usá-lo, resolvemos problemas sem termos que usar necessariamente a voz para solucionarmos (falamos no whatsapp enquanto estamos presencialmente com outras pessoas), usamos a voz pra gravar mensagens pra outro(s) sem ter que necessariamente estender a conversa ao telefone ou ser interrompido em nosso raciocínio, criamos grupos de interesse comum, mandamos fotos diversas inclusive de onde estamos e do que estamos fazendo, compartilhamos o lugar onde se estamos (um jeito de provar que estamos mesmo ali!), e, sobretudo, temos pequeninas diversões entre os memes, emojis e piadas que mandamos uns pros outros.
Quem não o usa, não deve estar entendendo muito bem isso tudo, mas quem tá nele, deve estar acenando positivamente com a cabeça agora e até sorrindo.
Whatsapp é deliciosamente viciante e o melhor tamos-ai-pra-qualquer-parada dos últimos tempos - o melhor 1001 utilidades que já vi.

Mas, como "não há almoço de graça" (desculpem pela tradução literal do ditado em Inglês), o whatsapp tem seus efeitos colaterais.
Com tanta facilidade ao alcance das mãos, tende-se a controlar mais tudo e todos. "Onde cê tá? O que comprou? Como tá seu cabelo? Quem tá ai? Manda foto."
E o controle vai além. Mandamos mensagens e ansiamos pela resposta. E aí começamos a desenvolver uma rotina quase paranóica de checar de tempos em tempos se a pessoa na nossa mira entrou no whatsapp (pelo registro de sua última visualização) e se respondeu.
Quando vemos que a pessoa-alvo entrou e não falou com a gente, é inevitável, ficamos bolados. Os mais razoáveis tentam compreender: "não teve tempo de responder", "nem deve ter visto o que mandei com tantas mensagens", "vai responder já já, conheço ele", "daqui a pouco mando carinha triste".
Isso chateia mas passa. Passa?
Passava.
Desconfio que a partir de agora (e essa novidade vem ocupando o noticiário dos grandes veículos) que o whatsapp além de contar quando a pessoa entrou nele pela última vez, nos mostra quando a pessoa leu a sua mensagem, teremos uma espécie de 3ª Guerra Mundial entre relações sociais, profissionais, familiares e, sobretudo, amorosas.
Coitados dos que leram e deixaram pra responder depois. Não vão ter desculpa. Os já famosos 2 tiques azuis do whatsapp vão provocar muita confusão. Saudades de quando eles eram só verdes.
Whatsapp - onde o azul ?(dos tiques) ?é a cor mais bélica e onde a vida real acontece do jeito que ela é - entre tapas e beijos.

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