SERRA REVELA COMO BOICOTOU O ATRASO TOTAL DO TREM-BALA DE DILMA
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4004 visitas - Fonte: Jornal GGN
O senador eleito por São Paulo e ex-governador José Serra (PSDB) admitiu, em um evento informal de um grupo que pede filiações para seu partido, que achava o projeto do trem-bala algo "hilariante" e que atuou nos bastidores para retardá-lo ao máximo. A ideia surgiu na campanha de 2010, quando Serra perdeu a eleição presidencial para Dilma Rousseff (PT). A estratégia do tucano foi inserir Campinas no trajeto do trem e pedir ao BNDES de Luciano Coutinho um estudo detalhado e muito demorado sobre isso. Funcionou.
O senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), disse considerar "hilariante" o projeto do trem-bala, que ligaria São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas - o projeto foi muito citado na campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010, quando Serra era o candidato tucano. Em uma apresentação informal a pessoas ligadas ao movimento Onda Azul - que se descreve como um movimento da sociedade civil que propõe atos de filiação coletiva ao PSDB -, Serra afirmou que o caso ilustra a falta de preparo do PT para governar.
Para a plateia de apoiadores, Serra disse na noite desta quinta-feira, 5, ter inserido Campinas no traçado do projeto, quando ele ainda era governador de São Paulo e Dilma, ministra da Casa Civil, para atrasar o projeto, que considerava "falido". O senador disse ainda que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, de quem era próximo, concordou com sua análise e ajudou a atrasar o andamento da proposta. "Enfiei Campinas logo que veio o projeto. Para quê? Para complicar, verdade, para ganhar tempo. Peguei o Luciano Coutinho, que é o presidente do BNDES, foi meu colega, um sujeito informado, e falei ''você não vai entrar nessa loucura de trem bala, né?''. Então eu vou propor que o BNDES faça um estudo e você demora. E ele fez mesmo, demorou para burro, sabe? Para ganhar tempo", disse Serra.
Questionado pelo Broadcast Político, serviço da Agência Estado de notícias em tempo real, sobre o assunto após o evento, Serra disse que a sua fala ali não era "coisa para levar para jornalista", mas admitiu que usou estratégias para protelar o projeto do trem-bala, que, segundo ele, demonstrou depois não ter viabilidade econômica. "Na época eu adverti que era uma loucura e que era importante o BNDES fazer um estudo sério, mesmo que isso levasse tempo. Claro que eu imaginava também ganhar tempo, mas o BNDES de fato fez esse estudo."
Em resposta ao Broadcast Político a assessoria de imprensa do BNDES afirmou que a informação não procede e disse que "a decisão de incluir Campinas no traçado do trem de alta velocidade foi tomada para atender a demandas da própria região e aproveitar o potencial do aeroporto de Viracopos."
Críticas. Durante a apresentação em tom de bate-papo com o movimento, Serra fez duras críticas ao PT. Disse que os quadros petistas não têm capacidade de governar e não sabem priorizar. "O PT é um partido bolchevique sem utopia. Eles não têm programa de governo, querem ficar no poder, uma militância fascista. São totalitários. Esse é um dado da realidade", afirmou. Serra disse também que a gestão petista levou a um empobrecimento do debate, pois o partido divide as pessoas em "anjos e demônios", impedindo a discussão racional de temas importantes como sistema político e modelo econômico. "O PT ajudou a ''burrificar'' o Brasil."
O senador falou também sobre corrupção e sobre as denúncias recentes que surgiram envolvendo a Petrobras. Na avaliação de Serra, a diferença do PT com os predecessores é que o partido transformou a corrupção em "método de governo". "A corrupção não é nova, mas corrupção nunca foi tão método de governo quanto nesse período. Virou método. É isso que a gente fica abismado. Você não fica abismado de ler a grana, o volume? É uma coisa espantosa, haja cara de pau, né? Um negócio que precisaria um software, você concorda? O negócio da Petrobras você tem 50 beneficiários, 50 pagantes, 50 obras", disse à plateia.
Serra criticou ainda o modelo de negociação entre o governo e a base aliada, argumentando que o fatiamento de ministérios, agências reguladoras e órgãos públicos enfraqueceu o governo. "Temos um governo fraco, de joelhos, que para votar qualquer coisinha tem que ceder o diabo."
Marta. Serra falou também da ex-ministra e ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, a quem sucedeu na prefeitura. Lembrou dela como exemplo da falta de preparo de gestão petista. Serra criticou o governo Marta por ter deixado o caixa da Prefeitura com apenas R$ 18 e disse não ter pagado a dívida deixada por ela referente à construção de túneis na região nobre dos Jardins. "Se vocês olharem aqui a gestão mais recente (do PT), da Marta Suplicy na Prefeitura, qual foi a obra mais importante? Os túneis dos Jardins, que devem custar em dinheiro atual R$ 1,5 bilhão, que, aliás, eu não paguei. Alguém aqui pode se horrorizar, mas nós demos calote nessa dívida."
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