NA DELAÇÃO, MORO CONFIRMA VAZAMENTOS SELETIVOS
Compartilhe
2020 visitas - Fonte: Brasil 247
O juiz Sergio Moro, do Paraná, surpreendeu ao não acatar o pedido de réus da Lava Jato, que queriam conhecer o teor da delação premiada de Pedro Barusco (alto à esq.), aquele que havia dito desviar recursos da Petrobras há pelo menos 16 anos, ou seja, desde o governo FHC; a negativa de Moro surpreende porque ele deu publicidade total às delações premiadas de Augusto Mendonça (alto à dir.), que disse que a doação declarada de campanha ao PT era propina, e também de Júlio Camargo (abaixo à dir.), outro executivo da Toyo Setal; outra delação que vem sendo mantida em sigilo é a de Paulo Roberto Costa (abaixo à esq.), que disse que seus US$ 23 milhões de propina vieram da Odebrecht, empreiteira até agora não alcançada pela Lava Jato; qual é a lógica de Moro?
O executivo Pedro Barusco, que aceitou devolver praticamente US$ 100 milhões em valores desviados da Petrobras, fez uma revelação importante em sua delação premiada. Disse que começou a roubar desde 1996, ou seja, no governo FHC, quando a estatal pôde passar a contratar sem licitações.
"Essa era a parte da casa", teria dito Barusco, negando que a roubalheira fosse partidária – era coisa de executivos corruptos mesmo.
Não se conhece, no entanto, a íntegra de sua delação. Ontem, uma reportagem do jornalista Fausto Macedo revelou que o juiz Sergio Moro, do Paraná, negou acesso a réus da OAS que pleiteavam a íntegra da delação de Barusco, para saber do que são acusados. Sérgio Moro argumenta que "por ora, ainda se faz necessário o sigilo para fins de investigação e corroboração do por ele declarado".
A decisão de Moro, no entanto, contradiz o que ele fez em relação a outras duas delações premiadas: as de Augusto Mendonça e Julio Camargo, executivos da Toyo Setal, às quais foram dadas total publicidade (leia mais aqui).
Numa delas, a de Augusto Mendonça, dizia-se que as doações legais ao PT, declaradas ao TSE, eram propina – o que poderia ampliar o discurso de criminalização do Partido dos Trabalhadores, no momento em que a presidente Dilma Rousseff ainda não tivera suas contas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Moro tornou pública a delação exatamente um dia depois do habeas corpus concedido pelo ministro Teori Zavascki a Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras.
Não se pode dizer que, no caso de Mendonça, suas acusações estejam mais provadas, por exemplo, do que as de Barusco. Mendonça é aquele que disse haver na Petrobras um 'clube de empreiteiras', com regras de um campeonato de futebol e presidido pela UTC – algo que foge à lógica, pois é improvável que uma empresa de porte médio possa mandar em gigantes como Odebrecht e Andrade Gutierrez, ainda não atingidas pela Lava Jato.
Sobre a Odebrecht, há também uma delação que vem sendo mantida em sigilo por Moro: a de Paulo Roberto Costa. Ele disse ter recebido US$ 23 milhões da Odebrecht e os promotores de sua força-tarefa já foram à Suíça onde, segundo consta, confirmaram as transferências das propinas. Não se pode dizer que, neste caso, a delação de Costa, que já cumpre prisão domiciliar, esteja menos provada do que a de Barusco.
Ao não conferir o mesmo tratamento a casos semelhantes, Moro contribui para a percepção de que os vazamentos da Lava Jato são seletivos, por razões políticas ou econômicas, o que fere a lisura do processo.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Vexame na Bahia! Vice de Flávio Bolsonaro foge de evento com medo de flopar e inventa desculpa esfarrapada!!
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
