A CRISE IRÁ DERRUBAR O PT E PSDB
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2571 visitas - Fonte: Jornal GGN
Os Movimentos de Junho de 2013 ainda aguardam uma leitura acurada e profunda de suas causas, sentidos e direção. Historiadores e sociólogos, se houverem, darão conta de lhes jogar luz. Mas alguns elementos de 2013 pela força e contundência emergiram a flor do entendimento.
O abismo entre a cidade digital e sua cultura virtual e moderna, e a cidade analógica e, sua cultura anacrônica e desigual é um ponto fulcral a explicar os manifestos nos grandes centros de São Paulo e Rio. A distância crescente entre poder e povo, ou, o povo entendido apenas como vítima, aquele que é merecedor apenas de assistência e bolsas remediadoras, assistindo uma classe política divorciada de seus compromissos republicanos. A falta de lugar e sentido pra um entendimento mais espiritual da vida, onde o cotidiano não se resuma apenas a comer e consumir. O enfezamento com a ideologização da vida e a transformação de tudo e qualquer coisa num vetor político. A campanha maciça em torno da ideia de que a vida nada mais é que o agora, sem futuro nem sentido, motorizando a realização dos desejos como imperativo sobre tudo e qualquer coisa é o pano de fundo a determinar o curso do que irá acontecer a partir de agora.
A contundência do movimento, sua força e grandeza indicam, certamente, que algo mais que descontentamento com ônibus e corrupção está na raiz dos protestos. Há um enfado com a vida na cidade.
Os problemas das metrópoles brasileiras são mais que seus problemas reais e concretos, há um esgotamento desse sentido moderno e urbano de viver. A crise é cultural e espiritual.
É dentro desse caldo amargo de coisas que vem se juntar agora a imensa crise de corrupção na Petrobrás, o endurecimento cotidiano com aumentos escorchantes de impostos, tributos, multas e cobranças, associado ao esfriamento da economia, falta daqui pra frente de emprego, déficits públicos de todo tipo e natureza, e uma presidência assentada no maior estelionato eleitoral de que se tem notícia em nossa época democrática.
Ao mesmo tempo, a crise de governança estadual no sudeste brasileiro, em que o mais importante partido de oposição, PSDB, está afundado num baita colapso de falta de água, fruto, evidentemente, da falta de qualquer política de médio e longo prazo na gestão dos recursos hídricos.
O enlace dessas duas crises, em plano federal (PT), e estadual, dado que Minas Gerais e São Paulo são governados pelo PSDB à vinte anos, expõe o fracasso desses dois partidos na condução do país e a falência da cultura política de esquerda no plano cultural, social e econômico. De repente estamos de volta ao período Collor.
No dia em que as torneiras amanhecerem secas no Sudeste, e elas estão assim cada vez mais, a revolta vai campear pelas cidades.
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