PML: INDICAÇÃO DE BENDINE É MAIS POSITIVA QUE PARECE
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977 visitas - Fonte: Brasil 247
"Fala-se da queda dos papéis da Petrobras, após a nomeação de Bendine. como se este movimento, de caráter essencialmente especulativo, fosse diminuir a quantidade de arroz e feijão na mesa dos brasileiros", diz Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília; "Do ponto de vista dos mercados, só interessava um presidente capaz de encaminhar medidas privatizantes no futuro da empresa — e até a mudança no controle, se fosse possível", avança; segundo ele, Bendine é o presidente ideal para equacionar a questão do balanço pendente e preservar a política de conteúdo nacional
A indicação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras é mais positiva do que parece.
Bendine representa uma novidade na melodia exibida pela equipe econômica de Joaquim Levy. Não tem uma história ligada ao mercado, mas à política econômica que permitiu ao Brasil resistir ao colapso do capitalismo na crise de 2008-2009.
Na época, ele assumiu o Banco do Brasil para realizar uma bem sucedida política de ampliação do crédito, redução de juros e conquista de clientes que o setor privado decidira abandonar para não rebaixar seus lucros.
Nos telejornais, fala-se da queda dos papéis da Petrobras, após a nomeação de Bendine. como se este movimento, de caráter essencialmente especulativo, fosse diminuir a quantidade de arroz e feijão na mesa dos brasileiros.
É uma tentativa de despolitizar um debate importante.
A indicação do presidente da Petrobras, ainda mais numa conjuntura como a atual, tem um componente político inevitável. É um posto que define rumos, fortalece determinadas opções e pode enfraquecer outras.
Do ponto de vista dos mercados, só interessava um presidente capaz de encaminhar medidas privatizantes no futuro da empresa — e até a mudança no controle, se fosse possível.
Para este ponto de vista, essa mudança seria — e é — a chave de ouro para a Lava Jato, investigação que, muito além de qualquer desvio, propina ou irregularidade, criou um ambiente artificial de catástrofe e inquisição na maior empresa brasileira. Foi isso o que ocorreu com a ENI, estatal italiana de petróleo, no capítulo final da Operação Mãos Limpas, assumida fonte inspiradora do juiz Sergio Moro.
Imagine que, em oposição a Bendine, os jornais até noticiaram que o economista Paulo Leme chegou a ser incluído entre os possíveis candidatos a dirigir a empresa.
Era uma proposta apenas risível. Não há objeção à formação de Leme, um brasileiro que fez carreira como executivo do Goldman Sachs, e tem uma experiência profissional reconhecida. A questão é que se trata de um adversário agressivo do governo desde 2002, quando Lula tornou-se favorito na sucessão de Fernando Henrique Cardoso.
Sob sua guarda, um economista do Goldman Sachs chegou a produzir uma peça de campanha antipetista chamada Lulômetro. Tratando Lula com um candidato que merecia usar o chapéu de bôbo entre os concorrentes, o Lulômetro fazia previsões apocalípticas sobre a inflação e cambio que, com o passar dos anos, tornaram-se pura anedota.
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