NÚMERO DE MANIFESTANTES NO 15 DE MARÇO CAUSA POLÊMICA
Na avenida Paulista, a PM cravou um número 4,7 vezes maior do que o Datafolha no domingo; na manifestação da esquerda, na sexta, a policia estimou uma quantidade 3,4 vezes menor do que o instituto
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1421 visitas - Fonte: Carta Capital
Manifestações na Paulista nos dias 13 e 15 de março: para a PM, diferença de público foi de 83 vezes; para o Datafolha, foi de 5
A capital do Tocantins, Palmas, foi a única a não protestar no último domingo 15 contra a presidenta Dilma Rousseff. As outras capitais e mais 125 cidades levaram para as ruas 877 mil pessoas, ou talvez o dobro: 1,7 milhão.
A diferença de número foi uma das principais polêmicas a tomar as redes sociais assim que o jornal Folha de S.Paulo, às 19h, estampou a manchete: “Ato levou 210 mil à Paulista, diz Datafolha”. Surpresa geral nos meios de comunicação, que até aquele momento estampavam 1 milhão de pessoas na avenida, número fornecido pela Polícia Militar às 15h40.
Pelas contas do Datafolha, o pico foi registrado pouco depois, às 16h, quando 188 mil manifestantes tremulavam bandeiras e cartazes contra o governo. Questionada pela reportagem, a PM afirmou que “ratifica suas estimativas de público em aproximadamente 1 milhão de pessoas”.
Números supostamente superestimados pela PM não reduz o impacto do protesto na Paulista: 210 mil contra o governo
Números supostamente superestimados pela PM não reduz o impacto do protesto na Paulista: 210 mil contra o governo
O método seria sua ferramenta tecnológica “Copom On-Line”. Uma nota oficial, enviada à redação, afirma que o método utiliza recursos de mapas e georreferenciamento baseados nas imagens aéreas colhidas por um helicóptero, que determinou a extensão principal da manifestação e a ocupação das ruas adjacentes. “Naquele momento, 5 pessoas por metro quadrado.”
Segundo o jornal, um estudo do Datafolha publicado em 2011 explicou que a aglomeração máxima estimada pelo instituto nos 135,5 mil m² da Paulista suportaria, no máximo, 950 mil pessoas, 7 por metro quadrado, contando com as calçadas igualmente lotadas. Essa concentração equivaleria ao vagão de um metrô lotado nos horários de pico.
Embora a PM tenha cravado um número 4,7 vezes maior do que o Datafolha, o mesmo Copom On-Line estimou em 12 mil pessoas a quantidade de manifestantes que na sexta-feira 13 foram à mesma avenida em um ato pró-governo. Esse número é 3,4 vezes menor do que a medição do Datafolha, que na ocasião anotou 41 mil pessoas ao longo da Paulista. Na avaliação da PM, o protesto de domingo foi 83 vezes maior do que o de sexta.
PM na paulista
PM tuita foto agradecendo manifestantes na Paulista
A assessoria da PM não respondeu à pergunta da reportagem sobre a acusação, nas redes sociais, de que ela estaria favorecendo a marcha de 15 de março. A polícia foi aplaudida pelos manifestantes durante todo o dia, e chegou a ser formada uma fila para tirar fotos com soldados da tropa de choque. A própria polícia reproduziu em sua conta no Twitter as selfies tiradas por manifestantes ao lado dos soldados, que agradeceram o “apoio” recebido na avenida.
Essa não foi a única polêmica. Apesar de, tradicionalmente, as estimativas da PM serem mais conservadoras que a dos organizadores de passeatas, no Rio Grande do Sul foi o inverso. Enquanto o Movimento Brasil Livre (MBL) contabilizou 60 mil pessoas no domingo, a Brigada Militar de Porto Alegre anunciou 100 mil pessoas.
Parada Gay X Marcha para Jesus
Em São Paulo, polêmica parecida transformou em guerra os números da Parada Gay e da Marcha para Jesus em 2012. Naquele ano, 270 mil apoiadores da causa GLBT foram às ruas, segundo o Datafolha, número 16,6 vezes menor do que a divulgação dos organizadores, segundo quem o ato reuniu 4,5 milhões. Já os evangélicos disseram ter colocado 5 milhões os fiéis na Paulista --o Datafolha falou em 335 mil e, a PM, em 500 mil.
Mesmo que a manifestação de domingo tenha sido menor do que a divulgação da PM, essa já é a maior aglomeração medida pelo Datafolha em um ato político desde as Diretas-Já. No dia 16 de abril de 1984, 400 mil pessoas foram à região da praça da Sé, diz o instituto. Nas manifestações de junho de 2013, o recorde na Paulista foi de 110 mil manifestantes.
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