NO RODA VIDA DE EDUARDO CUNHA, QUEM BRILHOU FOI JOÃO DÓRIA, O INVENTOR DO PATÉTICO "CANSEI"
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980 visitas - Fonte: DCM
Duas coisas aparecem nas estações chuvosas: pernilongos e João Dória Jr. Nas crises políticas recentes, João sempre põe a cabeça para fora para tentar pegar uma carona.
Ele esteve no último Roda Viva com o deputado Eduardo Cunha. Surgiu catastrofista, alertando para o fato de que o Brasil está “debilitado”. “Crise econômica gravíssima, como nunca se viu antes na história desse país. Debilitado pelas denúncias de corrupção. Mais de dois milhões de pessoas foram às ruas. O senhor vai impor a pauta?”
Cunha, que pode ser tudo mas é também safo e articulado, desmontou a argumentação. Não vai impor pauta nenhuma e a crise é política. “Se fosse um governo parlamentarista, já tinha caído”, atalhou Dória, com seu sorriso invencível.
Ele voltaria a atacar. “Impeachment: há mais de uma dúzia de pedidos encaminhados…” Cunha observou: “Tem dois lá”.
JD, obcecado com o tema, ainda tomaria algumas bambuzadas ao lembrar de dois “ilibados juristas” que defendem o impeachment. Cunha devolveu que seria capaz de citar cinco que dizem o contrário.
Do alto de seu gumex, João Dória informou: “Eu ajudei a fazer as Diretas Já. Estava nas ruas ontem, também.” Sobrou espaço para um besteirol muito louco sobre o que chamou de “Lei da Mordaça”, aka regulação da mídia. “Sem contar o que estão fazendo com duas importantes revistas semanais que se posicionaram contra o governo e que não recebem mais verbas federais”, indignou-se.
João Dória Jr. não se constrange porque está muito além disso. JD pode ser considerado um pioneiro das manifestações equivocadas. Em 2007, na esteira do acidente com o vôo 3054 da TAM, lançou o “Cansei” , o “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”. No auge, 4 mil pessoas se reuniram na Praça da Sé para gritar “Fora, Lula”.
No cardápio de queixas, cabiam deste o caos aéreo até a corrupção e a segurança. Acabou sendo um vexame de quatro costados. O então cônsul-geral dos Estados Unidos em São Paulo, Thomas White, acusou o grupo de ser formado por “membros ricos da elite branca sem nada melhor para fazer do que reclamar”.
Fernando Henrique observou que “Cansei” “não é um lema que Martin Luther King, Jr. teria escolhido para inspirar seus seguidores”. O presidente da Philips, Paulo Zotollo, apoiador de primeira hora, ainda diria que o Brasil não é o Piauí, “no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”. Jô Soares classificou o negócio de “ridículo total”. João Dória foi cobrado por promover desfiles de cachorros de raça em Campos do Jordão enquanto o mundo, ao menos em sua opinião, caía.
Ele é dono da LIDE, que se define oficialmente como “uma organização de caráter privado, que reúne empresários em doze países e quatro continentes”. Nesses encontros, geralmente em resorts, rolam gincanas e outras atividades para distrair a galera. Jornalistas convidados recebem jabás generosos dos patrocinadores e escrevem resenhas generosas.
No ano passado, em Comandatuba, na Bahia, apareceram Aécio Neves, Eduardo Campos e Marina Silva. Dória é tido como um mestre jedi do networking. Deu alguns jantares para Aécio Neves na campanha.
Compra um horário na TV para exibir um programa que, por óbvio, é traço no Ibope. Quando sente que o clima permite, sai da sombra. Numa noite de 2014, perguntou aos (cinco) telespectadores: “Quer mudar o Brasil pelo processo democrático? Vote corretamente!”. Tem de ser pelo processo democrático, João? Bom, paciência. Na sequência, entrou a descer a lenha nas “ditaduras democráticas (?) de Bolívia, Venezuela, Equador”.
JD teve uma sociedade com a Editora Abril num evento de arquitetura e decoração chamado Casa Cor. Uma blindagem da imprensa nunca o impediu de pagar mico. Suposto porta-voz do empresariado, faz o papel da pitonisa Cassandra: “Há uma profunda desconfiança e um descrédito em relação à política econômica de Dilma”; “Não há terrorismo e nem partidarismo, está mal”; “Nenhum setor está desempregando, mas não está contratando”; “Se o time está perdendo, tem que trocar o técnico”. E um interminável etc de lugares comuns.
Agora: ninguém tira de João Dória o posto de precursor, inventor do coxinhismo. Protomauricinho, 24 horas por dia de banho tomado, bem antes dos milhares de homens que fizeram passeata de camisa pólo e gomalina pelas avenidas havia ele, João Dória, o mago, o mito da livre iniciativa. Vocês o aguardem.
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