CRIMINOSO PRIMO DE TUCANO TEM DIREITO A CELA ESPECIAL. OUTRO ELEITOR, O DE CARRRRRREIRAs.
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1193 visitas - Fonte: jornaldelondrina
foto: (Crédito: Roberto Custódio/Jornal de Londrina)

O parentesco entre Luiz Abi Antoun e o governador Beto Richa (PSDB) foi a razão apresentada pelo juiz Katsujo Nakadomari para que o empresário fosse transferido da Unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) para uma sala reservada no Batalhão do Corpo de Bombeiros. A afirmação foi confirmada em uma entrevista por telefone do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) à reportagem do JL.
Segundo Nakadomari, a transferência não é um privilégio, mas uma medida tomada para garantir a segurança do primo do governador. “É uma cautela que nós tomamos. Isso é para garantir a segurança do custodiado. Ele não terá qualquer privilégio, continua preso e as visitas serão todas monitoradas e autorizadas apenas com ordem judicial”, explicou o juiz.
Pela lei, Abi Antoun teria no máximo direito a cela especial dentro da PEL. A lei prevê que presos provisórios (que ainda respondem a processos) com diploma de curso superior têm direito a cela especial. Advogados quando estão presos provisoriamente têm direito a sala de Estado Maior. No caso de Londrina, como não há sala de Estado Maior em condições de receber esses presos, as transferências vão para o Corpo de Bombeiros.
Apesar de ter curso superior, a opção de mantê-lo em uma cela isolada dentro da penitenciária foi descartada pelo magistrado. “A transferência se deu por esse parentesco e pelo momento político que não é muito apropriado para o governador”, disse Nakadomari. “Em caso de uma rebelião, ele seria um dos primeiros a serem procurados pelos presos. Quando sabemos que há este tipo de risco, temos que tirar o preso do sistema imediatamente. Como eu poderia deixar ele lá sabendo desse risco? Eu seria responsabilizado caso acontecesse qualquer coisa com ele”, apontou o juiz
Segundo Katsujo, a medida não é inédita. “Quanto há um parente de policial preso, a preocupação com a segurança deste custodiado também aumenta. Nestes casos, também enviamos o preso para um isolamento”, garantiu.
Assim como Abi Antoun, o advogado José Carlos Luca também foi encaminhado ao Corpo de Bombeiros. No caso dele, não há nenhum laço de parentesco que garanta o isolamento. “Por ser advogado, ele tem essa prerrogativa de ficar em uma cela separada dos demais”, explicou Nakadomari.
O advogado Maurício Carneiro, que defende o empresário Paulo Roberto Midauar, preso em São Paulo durante a mesma operação do Gaeco, protocolou pedido para que seu cliente também fosse transferido para o mesmo local onde Abi Antou e Luca estão detidos. O pedido, porém, foi negado pelo juiz da VEP.
“A negativa ainda não foi publicada, porque o despacho saiu ontem [quarta-feira] à tarde. E eu neguei porque ele não corria nenhum risco lá dentro. É engenheiro, se não me engano, e poderia ficar perfeitamente dentro da cela de isolamento”, comentou.
Nakadomari voltou a reforçar que não há privilégios na transferência de Abi Antoun para o Corpo de Bombeiros. “Suponha que ele estivesse lá, sozinho, na cela do isolamento da PEL II. São mais de 1,5 mil presos e cerca de 300 agentes penitenciários. Ninguém sabe o que acontece lá dentro. As regras do mundo aqui fora não se aplicam lá. Vocês não conhecem o sistema carcerário, é outro mundo. E eu sabendo dos riscos que há, tenho que proteger o preso”, afirmou.
Entenda o caso
O diretor do Departamento de Transportes (Deto), Ernâni Delicato, é o único dos seis homens que tiveram a prisão preventiva decretada pela 3ª Vara Criminal de Londrina, sob a suspeita de fraudar uma licitação para o conserto de carros oficiais, que ainda não está preso. Delicato estava em Brasília e segundo rumores que correm em Curitiba, se entregaria hoje. O Deto é um órgão da Secretaria Estadual de Administração que responde pela frota de veículos do governo do Estado.
Na quarta-feira (18), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu mais um dos suspeitos, o empresário Paulo Roberto Midauar, do ramo de combustíveis, que é ligado a Luiz Abi Antoun, primo do governador Beto Richa (PSDB), que foi preso na segunda-feira (16).
Além de Abi Antoun, foram presos Ismar Ieger, da Providence Auto Center, empresa contratada emergencialmente por R$ 1,5 milhão, em dezembro; Roberto Tsuneda, da KLM Brasil – Indústria Eletrônica (empresa que tem ligações com Abi Antoun) e José Carlos Luca. Todos são suspeitos de terem fraudado o processo de contratação emergencial da Providence.
Os investigadores suspeitam que Abi Antoun teria preparado um esquema para que a Providence assumisse a manutenção dos veículos na região. De acordo notícia publicada ontem na Agência Estadual de Notícias (AEN), órgão do governo do Estado, a JMK Serviços, empresa de Curitiba, venceu a licitação para fazer a manutenção dos 15,5 mil veículos da frota do Estado. A AEN informa que será um contrato único em substituição a 37 contratos que atendiam todo o Estado.
Conforme o texto, a empresa que venceu a licitação vai credenciar 220 oficinas em todo o Estado para fazer a manutenção da frota. O valor do contrato não é citado pela AEN, mas os investigadores afirmam que é um contrato de R$ 57 milhões e avaliam que o interesse do grupo de Abi Antoun é fazer da Providence uma das oficinas credenciadas.
A suspeita é de que a articulação para fazer da Providence uma das oficinas credenciadas seria de Abi Antoun e de Delicato. Alguns dos homens presos já começaram a colaborar com as investigações feitas pelo Gaeco.
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