PMDB ACELERA PARA GARANTIR FINANCIAMENTO PRIVADO
Compartilhe
571 visitas - Fonte: Brasil 247
Vice-presidente Michel Temer, na condição de presidente do partido, tem a tarefa de coordenar as negociações com as demais siglas a fim de aprovar a reforma política proposta pela legenda; ele se reuniu nesta terça (24) com o presidente do PT, Rui Falcão, e deve se encontrar com o tucano Aécio Neves; ao contrário dos petistas, o PMDB propõe em sua reforma manter o financiamento privado de campanhas; "O PT e os defensores do financiamento exclusivamente público temem que, acelerando a votação da reforma, o PMDB consiga constitucionalizar as doações privadas, o que tornará praticamente impossível alterar o sistema", afirma a jornalista Tereza Cruvinel, em seu blog no 247
Disposto a assumir a paternidade da reforma política, o PMDB entregou ao vice-presidente Michel Temer, na condição de presidente do partido, a tarefa de coordenar as negociações com os demais partidos na busca de uma convergência que permita a aprovação da reforma política. Hoje Temer já teve encontrou com o presidente do PT, Rui Falcão, e deve encontrar-se com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves.
Temer reuniu-se também hoje no início da manhã com o presidente da Comissão Especial da Reforma Política, Rodrigo Maia, do DEM, o relator, Marcelo de Castro, do PMDB, e outros integrantes do grupo instituído pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
O projeto de reforma apresentado pelo PMDB foi elaborado pela Fundação Ulysses Guimarães, presidida pelo ex-ministro Moreira Franco, que aposta em seu avanço a partir da coordenação de Temer. "Acredito que a mediação do presidente Michel Temer dará um impulso vigoroso à reforma política, que deixará de ser uma miragem para se transformar num importante fato político. Temos a nossa proposta mas alguns pontos, naturalmente, terão que ser negociados pois é obvio que nenhum partido tem força política para impor o seu projeto", diz ele.
A proposta peemedebista tem duas diferenças importantes em relação à defendida pelo PT. A primeira é quanto ao financiamento de campanhas. Enquanto Rui Falcão e os petistas defendem o fim das doações privadas, apontando a conexão entre o financiamento privado e os casos de corrupção, o PMDB quer mantê-lo, fixando limites para as contribuições das empresas e regulando as doações de pessoas físicas.
A outra diz respeito ao sistema eleitoral. O PT defende o voto em lista fechada de candidatos, sistema utilizado em muitas democracias, pelo qual o eleitor voto na lista partidária. A partir do número de votos na lista calcula-se o número de deputados eleitos pelo partido. Elegem-se os primeiros da lista pré-ordenada. O principal mérito deste sistema é que ele fortalece a identidade do eleitor com o partido e barateia as campanhas, na medida em que o partido promove toda a sua nominata, inexistindo as campanhas individuais, cada vez mais caras. O PMDB defende o distritão, fórmula muito apreciada por Michel Temer, pela qual serão eleitos os mais votados em cada estado, suprimindo-se a distribuição proporcional que permite a eleição de candidatos sem representatividade, beneficiados pelos votos obtidos pela coligação. O PMDB acusa o PT de defender o financiamento exclusivamente público para forçar a adoção do voto em lista, que beneficiaria o partido ainda hoje mais popular, apesar de seu desgaste com os escândalos de corrupção.
O PT e os defensores do financiamento exclusivamente público temem que, acelerando a votação da reforma, o PMDB consiga constitucionalizar as doações privadas, o que tornará praticamente impossível alterar o sistema. O PMDB é um grande beneficiário das doações privadas, com as quais vem conseguindo eleger grandes bancadas embora sem disputar a presidência da República, tornando-se sempre o fiel da balança de todos os governos.
Em 2010, as doações legais feitas pelas maiores empreiteiras nacionais, quase todas hoje investigadas pela Operação Lava Jato, somaram R$ 222.570.081,00. Deste total, 25% foram para o PT, 24% para o PSDB e 21% para o PMDB. O PSB ficou com 7%. Nas eleições de 2010, essas empresas doaram R$ 135.516.000,00: O PMDB ficou com a maior fatia, de 24%, seguido do PT, com 23%%, e do PSDB, com 20%.
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.
O Plantão Brasil é um site independente. Se você quer ajudar na luta contra o golpismo e por um Brasil melhor, compartilhe com seus amigos e em grupos de Facebook e WhatsApp. Quanto mais gente tiver acesso às informações, menos poder terá a manipulação da mídia golpista.
Notícias mais lidas
Pesquisa Quaest mostra Flávio à frente de Lula e Thiago dos Reis aponta coincidência com reunião em Brasília
BALDE DE ÁGUA FRIA! Impedimento de Nunes Marques pega campanha de Flávio Bolsonaro de surpresa no STF
Falha grave na Polícia Civil de SP expõe governo Tarcísio e coloca sob suspeita provas de inquérito ligado a André Mendonça
