CUNHA RESPONDE A MANIFESTANTES CONTRA TERCEIRIZAÇÃO: 'ME ESTIMULA A VOTAR MAIS'
Presidente da Câmara classificou mobilização dos trabalhadores como 'de baixo nível'. Polícia usou violência, mesmo sem encontrar nenhum artefato que indicasse preparo para o confronto
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609 visitas - Fonte: RBA
Mesmo sem máscaras, capacetes ou bombas, trabalhadores foram recebidos com violência na Câmara de Eduardo Cunha
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, disse (7) que as manifestações promovidas ontem (7) por centrais sindicais e outros movimentos sociais têm o efeito oposto ao pretendido e que deverão fazer com que os deputados queiram votar mais rapidamente a proposta do projeto de lei que autoriza a terceirização de mão-de-obra para todos os setores de uma empresa (PL 4330/04). Ele classificou os protestos em Brasília como sendo "de baixo nível".
A declaração foi dada no fim da tarde de ontem, dia marcado para a votação em plenário do PL da Terceirização. Mais cedo, policiais militares e da Polícia Legislativa usaram bombas de gás, cassetetes e gás de pimenta contra o movimento dos trabalhadores, em frente ao Congresso Nacional. O tumulto começou quando as delegações tentaram se aproximar da Chapelaria, uma das entradas da sede do Parlamento
"Cada vez que há uma pressão dessa, exercida de forma indevida, o Congresso tem de responder votando. Protestos são legítimos, mas quando partem para agressão, depredação e o baixo nível que imperou hoje, o Congresso tem de reagir. De minha parte, só me estimula a votar mais", disse.
Diferentemente do que Cunha afirmou, porém, não houve registros de depredações em consequência do tumulto e da força desproporcional da polícia contra os manifestantes, com os quais não foram encontrados nenhum artefato que indicasse a disposição para o confronto, como máscaras, capacetes, paus, bombas etc.
O governo pediu o adiamento da votação por cinco sessões, tempo em que pretende costurar um acordo entre as centrais e o Legislativo, mas Cunha reafirmou sua posição de não alterar a pauta da Câmara por iniciativa própria.
"A proposta está há 11 anos sendo analisada, e eu avisei há 45 dias que seria votada a terceirização nesta semana. É tradição dessa Casa só tentar um acordo quando a proposta vai para a pauta, e por isso é melhor começarmos essa discussão", disse.
Segundo Cunha, com as discussões ainda a serem feitas e emendas a serem analisadas, a votação pode durar até mesmo duas semanas.
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