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13/4/2015 11:55

SENADORES DEVEM DECIDIR SE ABREM CPI PARA INVESTIGAR DENÚNCIAS DA OPERAÇÃO ZELOTES

Esquema envolve pessoas físicas e grandes empresas acusadas de negociar com agentes públicos redução de impostos. Parlamentares podem optar para que CPI do HSBC incorpore as apurações

SENADORES DEVEM DECIDIR SE ABREM CPI PARA INVESTIGAR DENÚNCIAS DA OPERAÇÃO ZELOTES
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783 visitas - Fonte: RBA

Humberto Costa, líder do PT no Senado, avalia melhor caminho para investigar denúncias de sonegação



Brasília – O Senado deve decidir durante esta semana se instalará uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o escândalo de corrupção detectado por meio da chamada Operação Zelotes, da Polícia Federal. Ou se as investigações sobre o caso serão incorporadas à CPI do HSBC, que apura prática de evasão de divisas e de sonegação fiscal por brasileiros que aparecem como correntistas de uma unidade do banco inglês na Suíça.



A Operação Zelotes, que se for transformada numa comissão parlamentar será chamada de “CPI da Receita”, investiga fraudes relativas a propinas pagas por empresários a agentes públicos para reduzir o valor de impostos devidos à Receita Federal – o que pode ter resultado em perdas de R$ 6 bilhões a R$ 19 bilhões aos cofres públicos.



O pedido para instalação da CPI foi protocolado pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), e já foram coletadas 32 assinaturas, tanto por parlamentares da oposição como da base aliada do governo – cinco a mais do que o número necessário regimentalmente. Os senadores só têm de decidir, a partir de agora, se consideram melhor, mesmo, apurar os trabalhos de forma isolada dentro de uma comissão de inquérito – seria a quinta a entrar em funcionamento na Casa nesse início de legislatura. Existe o temor de que haja perda de agilidade e de eficácia.



Os que são contrários à ideia de junção das apurações com o caso das contas irregulares do HSBC, por sua vez, argumentam que muitos detalhes podem acabar sendo deixados de lado, numa investigação conjunta sobre dois casos tão complexos.



Para o líder do PT no Senado, senador Humberto Costa (PT-PE), a dúvida tem razão de ser, uma vez que nos dois esquemas fraudulentos (operação Zelotes e escândalo do HSBC) houve sonegação fiscal bilionária, envolvendo instituições financeiras, grandes empresas, e evasão de recursos para o exterior. “Não estamos certos ainda sobre o melhor caminho a ser tomado. Vamos avaliar bem isso, antes de ser tomada qualquer decisão a respeito”, destacou Costa.







Para o senador Ataídes Oliveira, o importante é que o Senado assuma a sua responsabilidade de apurar o esquema descoberto na Zelotes. “Parece óbvio que uma questão dessa envergadura e relevância exige medidas reais e efetivas”, disse. Oliveira afirmou, ao protocolar seu requerimento pedindo a abertura da CPI, que a Casa precisa investigar as razões da existência do esquema e, ao mesmo tempo, “orientar a adoção de medidas que evitem a repetição desses fatos”.



Subornos no Carf



A Operação Zelotes foi deflagrada em março. A PF atuou em conjunto com a Corregedoria-Geral do Ministério da Fazenda, Receita Federal e Ministério Público Federal, para cumprir mandatos de busca e apreensão dentro da investigação de um esquema que corromperia conselheiros e funcionários do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), para anular, reduzir ou atrasar cobrança de impostos pela Receita Federal. Teve como resultado, a descoberta de uma fraude bilionária. De acordo com o esquema detectado, grandes empresas subornavam integrantes do Carf para serem absolvidas de pagar impostos devidos (ou reduzir de forma significativa o valor a ser pago).



Entre os acusados de envolvimento, conforme as apurações iniciais, estão: Grupo RBS (maior afiliado da Rede Globo, na Região Sul), Ford, Mitsubishi, BR Foods, Camargo Corrêa, Petrobras e os bancos Santander, Bradesco, Safra, Bankboston e Pactual.



Na terça-feira (7) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou a criação de uma força-tarefa do MPF para investigar o caso. Mas nenhum dos três procuradores designados para ajudar o procurador Frederico Paiva terá dedicação exclusiva ao caso. Eles continuarão lidando com suas atribuições normais – diferentemente do que ocorre com a Lava Jato. Outra diferença é que 16 pedidos de prisão temporária não foram acatados.



Assim que os senadores definirem o formato que terá a investigação – seja a instalação da CPI ou o requerimento incorporando novas atribuições à CPI do HSBC – o plenário votará a deliberação a ser seguida. A decisão está programada para sair até a próxima sexta-feira (17), antes do feriado de 21 de abril.



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