'BARRAR O PL 4330 É UMA QUESTÃO DE HONRA PARA A CLASSE TRABALHADORA', DIZ LULA
Ex-presidente exortou trabalhadores a defender o governo Dilma Rousseff, atacou 'pessimismo paulista' e alertou que quem aposta contra a Petrobras 'vai quebrar a cara'
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854 visitas - Fonte: RBA
"Pessimismo não é do Brasil inteiro. Ele é mais de São Paulo", disse ex-presidente a sindicalistas
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou na noite de ontem (14) os trabalhadores a lutar contra a aprovação do projeto de lei da terceirização. “Não deixar aprovar o PL 4330 é uma questão de honra para a classe trabalhadora brasileira. A CLT, com todo os defeitos que tem, é uma conquista do povo brasileiro. Por isso a elite nunca gostou do Getúlio, e por isso levaram Getúlio à morte”, afirmou, em referência ao presidente da República Getúlio Vargas, em cujo governo foi criada a Consolidação das Lei do Trabalho, em 1943.
No discurso que proferiu na solenidade de abertura oficial do 9° Congresso Nacional dos Metalúrgicos da CUT (que vai até sexta-feira 17), em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, Lula defendeu a retomada do diálogo com o Congresso como estratégia de luta pelos direitos da legislação trabalhista brasileira depende de diálogo. "As conquistas foram com muita luta. Certamente o Eduardo Cunha não sabe. Alguns deputados novos também não sabem", disse, sobre o presidente da Câmara dos Deputados, do PMDB do Rio de Janeiro e principal líder parlamentar contra o governo.
"Ao invés de 'dar de barato' que eles já sabem e estão de má fé, acho que temos de conversar com todos eles e mostrar o que significa efetivamente a aprovação dessa lei. É negar tudo o que foi conquistado em anos e anos de luta."
Antes, o assessor especial da Secretaria-Geral da Presidência da República José Lopez Feijóo afirmou que "o PL 4330 é o AI-5 da classe trabalhadora", em alusão ao Ato Institucional baixado pelo governo militar, em 1968, que levou o país ao período mais agudo da ditadura, com a supressão aos direitos civis e democráticos.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que o papel dos trabalhadores "é fazer enfrentamento (com setores da no Congresso) o tempo todo" . O dirigente declarou que esse enfrentamento "contra a intolerância, o golpismo e a ideia do impeachment" estará presente nas manifestações desta quarta-feira (15) – Dia Nacional de Paralisação contra a Terceirização, convocado pela CUT, demais centrais e movimentos sociais. “O grande alvo das manifestações é derrotar o PL 4330. Podem até tentar derrotar os trabalhadores no Congresso, mas não nas ruas. Nas ruas nós vamos derrotá-los", disse Freitas.
Lula comentou as manifestações de setores conservadores do último domingo, os ataques à Petrobras, as acusações de corrupção vinculadas à estatal e dirigidas ao PT, e afirmou que o pessimismo sobre o futuro do país se localiza principalmente em São Paulo.
"Esse pessimismo não é do Brasil inteiro, não. Ele é mais de São Paulo. Eu acho que os sindicatos de São Paulo deveriam fazer uma pesquisa: eu acho que São Paulo está em recessão há muito tempo. Eles querem jogar esse mau humor para o Brasil inteiro?"
Sobre as manifestações contra o governo disse: "Essa gente deveria ter reivindicado mais educação quando eles governaram. Este país levou 100 anos para ter 3 milhões de alunos na universidade. Em apenas 12 anos chegamos a mais de 7,5 milhões. Em 12 anos fizemos mais do que eles fizeram num século. É isso que incomoda?", questionou.
Lula exortou os trabalhadores a defender o governo Dilma lembrando o ano de 2005, quando surgiram as denúncias relacionadas ao chamado "mensalão". "Começaram a tentar fazer comigo o que estão fazendo agora. Eles já estavam até falando em impeachment."
Uma carta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na época, lançou o mote "mexeu com Lula, mexeu comigo", o que, segundo ele, foi decisivo para animar a militância e afastar a defesa do impeachment pelos mesmos setores que hoje querem interromper o mandato de Dilma.
Segundo Lula, a classe trabalhadora não pode "permitir que a infâmia, o mau-caratismo de algumas pessoas venham querer destruir um projeto político que a duras penas começamos a construir".
Ele reconheceu que o país passa por dificuldades econômicas e defendeu a necessidade de o governo federal promover ajustes. "Sabemos que a situação não é das melhores. Mas na vida é assim. Quem é que já não fez um ajustezinho na sua casa?"
Petrobras
No discurso, o ex-presidente defendeu a Petrobras e lembrou que as ações da companhia subiram quase 20% nos últimos quatro pregões da Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo. "A Petrobras vai quebrar? A Petrobras vai quebrar a cara deles", ironizou. "O dia que a Petrobras aprovar o balanço, vocês vão ver o que vai acontecer com as ações. Aliás, já subiu 20% nesses dias."
As ações preferenciais da estatal fecharam em alta (1,79%) nesta terça-feira (14). As ações ordinárias acumularam alta de 17,9% nos últimos quatro pregões.
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