KOTSCHO: “SITE ANTI-PT REVELA MODUS-OPERANDI DOS PROBOS TUCANOS”
Jornalista Ricardo Kotscho chama pagamento do governo paulista ao site Implicante de "verdadeira parceria público-privada-conjugal em que os caciques tucanos agem com a mão do gato na sua cruzada anti-PT"; "Quem banca a farra, que já dura desde maio de 2013, no final das contas, somos nós, os contribuintes", critica; ele também destaca reportagem que aponta hoje contrato do governo no valor de R$ 595.175,00 à empresa de João Doria Jr
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1644 visitas - Fonte: Brasil 247
As informações que vão aos poucos pingando sobre o site "Implicante", contratado por uma mesada de R$ 70 mil paga pelo governo do Estado de São Paulo para atacar o PT nas redes sociais, revelam como funciona o modus-operandi dos probos e intocáveis tucanos paulistas na área da comunicação.
Trata-se de uma verdadeira parceria público-privada-conjugal em que os caciques tucanos agem com a mão do gato na sua cruzada anti-PT. Quem banca a farra, que já dura desde maio de 2013, no final das contas, somos nós, os contribuintes. Não sai barato: pelo valor da mesada, dá R$ 1.680.000,oo em dois anos.
O esquema foi montado quando a jornalista Cristina Ikonomidis, ex-secretária adjunta de Comunicação Institucional do ex-governador José Serra, trabalhava na Secretaria de Cultura do governador Geraldo Alckmin.
Na função de chefe de comunicação da Cultura, Cristina estava lá quando a empresa Appendix Comunicação, criada pelo advogado e blogueiro Fernando Gouveia, que usa o pseudônimo "Gravataí Merengue", e é responsável pelo site "Implicante", foi contratado pela Propeg, uma das três grandes agências que cuidam da publicidade oficial do governo Alckmin.
Perdoem-me os leitores, mas a história toda é meio confusa mesmo. Vamos por partes:
* Na semana passada, a Folha deu a primeira matéria sobre o "Implicante", que tem meio milhão de seguidores no Facebook e se especializou em difundir na rede notícias, artigos, memes, vídeos e montagens contra o PT e seus dirigentes, com vigorosa atuação na última campanha presidencial, aquela em que os tucanos tanto reclamaram da baixaria dos adversários. Na versão oficial, a Appendix foi contratada pela Propeg para fazer "revisão, desenvolvimento e atualização das estruturas digitais".
* Nesta quarta-feira, o jornal faz novas revelações: Cristina Ikonomidis, que deixou o governo em setembro de 2013, agora é sócia de Fernando Gouveia na empresa. E mais: pelo menos uma das ordens de serviço que liberaram pagamentos à Appendix foi assinada pelo jornalista Juliano Nóbrega, então secretário adjunto de Comunicação de Alckmin, o mesmo cargo que Cristina ocupara no governo Serra. Detalhe: Juliano é marido de Cristina, que agora é dona de 40% das ações da empresa de Gouveia.
* Nóbrega não soube dizer quem indicou o site do "Gravataí Merengue" para prestar serviços de comunicação ao governo do PSDB e diz que os pagamentos à Appendix faziam parte da sua função. Já o governo do Estado de São Paulo limita-se a terceirizar a responsabilidade, alegando que quem contratou a Appendix foi a Propeg, embora relatórios oficiais, a que a Folha teve acesso, revelem que o blogueiro presta contas diretamente à Subsecretaria de Comunicação, que autoriza os pagamentos à empresa.
Entenderam? É provável que esta "empresa de comunicação" de Gouveia e Ikonomidis não tenha sido a única contratada com as mesmas finalidades pouco republicanas pelas agências que servem ao governo de São Paulo.
Sob o título "Alckmin dá mesada a Dória", o blog do jornalista Paulo Henrique Amorim reproduz hoje contrato da mesma Sub-secretaria de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo, sob a rubrica "gastos com publicidade", destinando R$ 595.175,00 à "Doria Editora Ltda.", no período de março a setembro de 2014, o ano eleitoral.
Nada acontece por acaso. Fernando Gouveia, o Gravataí Merengue", a sua sócia Cristina Ikonomudis, casada com Juliano Nóbrega, e o promoter empresarial tucano João Doria Junior, profissionais da mais alta confiança de José Serra e Geraldo Alckmin, não têm mesmo do que reclamar da vida. Só revelam um modo tucano de operar a comunicação antipetista com o dinheiro do contribuinte.
E vamos que vamos. Vida que segue.
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